O Galo teve a bola. O Grêmio soube o que fazer com ela!
Carlos Vinícius indo pra cima de Léo Duarte no primeiro gol do Grêmio - Foto: Lucas Uebel
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O Atlético pode até encontrar algum consolo nas chances que criou.

Mas vai ser difícil convencer o torcedor de que fez um bom negócio em Porto Alegre.

Os 2 a 0 para o Grêmio, neste domingo (1/11), pela ida da semifinal da Copa do Brasil, deixou uma conta pesada para a volta. E essa conta foi construída dos dois lados do campo: pela dificuldade de aproveitar as oportunidades e pelos erros que facilitaram a vida do adversário.

Houve jogo para o Galo conseguir um resultado melhor.

Isso, porém, aumenta a cobrança.

Porque uma coisa é perder sem conseguir competir.

Outra é ter condições de machucar o adversário e sair com dois gols de desvantagem.

O Atlético teve iniciativa, chegou ao ataque e obrigou Weverton a trabalhar.

Mas ter mais a bola não significa mandar na partida.

Em vários momentos, o Grêmio estava justamente onde queria: defendendo os seus espaços e esperando a oportunidade de atacar.

Renato Gaúcho merece crédito por isso.

Montou uma equipe com três zagueiros, protegeu a área e aceitou passar períodos sem a posse.

Era uma escolha que exigia concentração atrás e precisão na frente.

Os seus jogadores entregaram as duas coisas.

E havia Carlos Vinícius.

No primeiro gol, o lançamento de Weverton encontrou uma defesa atleticana que não resolveu o lance.

Lyanco errou o tempo da bola, e o centroavante aproveitou.

Cortou, bateu e marcou. Uma jogada curta para um prejuízo enorme.

É nessas horas que a falta de um jogador da posição pesa.

O Atlético recorreu a Victor Hugo em uma função que não é a sua de origem.

Há disposição, há tentativa de ajudar, mas o improviso cobra um preço.

Atacar uma sobra, escolher o espaço entre os zagueiros e finalizar sob pressão são movimentos que exigem hábito.

Isso não significa que um centroavante resolveria tudo.

Seria uma explicação confortável demais para uma atuação com outros problemas.

Mas a comparação estava ali, diante dos olhos: o Grêmio tinha uma referência para concluir suas jogadas.

O Atlético procurava uma.

Tudo que bem o Weverton fez defesas importantes, especialmente na chegada de Renan Lodi.

Houve ainda a bola de Vitor Hugo no travessão.

O Atlético teve motivos para lamentar.

Só não pode transformar esses lances em desculpa para tudo o que deixou de fazer.

No segundo tempo, a pressa foi tomando o lugar do critério.

A equipe tentou empurrar o Grêmio para trás, mas nem sempre encontrou uma maneira de entrar.

Faltou escolher melhor o passe, a finalização e o momento de acelerar.

E faltou defender.

O gol de Noriega, logo depois do intervalo, é especialmente incômodo.

O Grêmio trabalhou pela direita, cruzou rasteiro e encontrou um jogador livre para concluir.

Para quem já precisava buscar o empate, permitir uma chegada dessas na volta do vestiário tornou a tarefa muito mais difícil.

A cobrança sobre Lyanco é compreensível? Sim.

Mas precisa alcançar o técnico Barba.

Um jogador não perde a carreira por atravessar uma fase ruim.

Pode, porém, perder a condição de titular.

O compromisso do técnico é perceber esse momento antes que o próximo erro custe outra partida decisiva.

O confronto continua aberto.

Há qualidade no Atlético para reagir e haverá torcida para empurrar.

Mas o apoio da arquibancada precisa encontrar uma equipe capaz de transformar pressão em oportunidade e oportunidade em gol.

O Grêmio deu ao Galo uma demonstração bastante prática: não é necessário atacar o tempo inteiro para causar estrago. É necessário saber aproveitar o que o jogo oferece.

Na volta, o Atlético terá de buscar os gols que desperdiçou e evitar os erros que cometeu.

Domínguez tem ajustes a fazer antes de pedir mais uma noite de reação ao torcedor.

A torcida vai acreditar. Mas o que o time vai apresentar para sustentar essa confiança?

Final da Copa Libertadores Feminina: o Cruzeiro não aceitou perder

O Cruzeiro precisou reagir duas vezes para conquistar a Libertadores Feminina.

Buscou o empate depois de ver o Corinthians abrir 3 a 0 e, mais tarde, fazer 4 a 2.

Nos pênaltis, Camila Rodrigues foi decisiva para garantir o título logo na primeira participação das Cabulosas.

Mas essa conquista começou muito antes da final.

Ela é resultado de um trabalho iniciado em 2019, com a estruturação do projeto profissional de futebol feminino e o acesso à primeira divisão do Campeonato Brasileiro naquele mesmo ano.

Desde então, a equipe cresceu, atravessou administrações diferentes e ampliou as suas condições de competir.

O investimento foi fundamental nesse caminho.

Segundo dados divulgados pela ex-diretora de futebol feminino Bárbara Fonseca, o orçamento passou de cerca de R$ 8 milhões, em 2024, para aproximadamente R$ 15 milhões no ano seguinte, após revisões durante a temporada. Isso permitiu reforçar o elenco, manter jogadoras importantes e melhorar as condições de trabalho.

Jonas Urias e suas jogadoras têm enorme mérito pela reação na final.

Reorganizar o time, insistir e continuar acreditando diante de tamanha desvantagem exigiu qualidade e força emocional. Essa resposta também foi construída no trabalho diário, com preparação e uma estrutura que não surgiu de uma temporada para outra.

Agora, a premiação de 2 milhões de dólares e as novas oportunidades esportivas precisam ajudar a sustentar esse crescimento.

O título aumenta a responsabilidade do clube de continuar investindo na modalidade.
As Cabulosas mostraram, em campo, o valor de não desistir.

A trajetória do Cruzeiro mostra o valor de dar tempo e condições para um projeto crescer.

Planejamento, investimento e continuidade dão resultado.

Que a taça seja um incentivo para fortalecer, ainda mais, esse trabalho!

Byanca Brasil com a taça de campeã da Libertadores Feminina – Foto: Fred Magno
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