Na casa do rival, o Cruzeiro mostrou futebol
Kaio Jorge e Lyanco disputam bola no clássico - Foto: Flávio Tavares
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O Cruzeiro fez o que precisava fazer.

Entrou mais concentrado, mais organizado e com um plano que funcionou.

O 1 a 0 desta quinta-feira (29), pela 33ª rodada do Campeonato Brasileiro, ficou barato.

Pelo que aconteceu antes do intervalo, uma vitória por dois gols de diferença seria perfeitamente compatível com o que foi a partida.

O primeiro tempo foi praticamente todo azul.

O Cruzeiro teve mérito para construir essa superioridade.

E encontrou um Atlético que abriu mão justamente do que vinha fazendo melhor: jogar com intensidade e acelerar quando recuperava a bola.

Na minha avaliação, Barba errou na estratégia.

Colocou uma equipe forte em campo, mas sem velocidade para atacar os espaços e sem força para pressionar a saída cruzeirense. O Galo ficou sem profundidade.

Faltava gente para receber e arrancar pelos lados.

A bola chegava à frente, a jogada parava e o time precisava voltar ao meio para começar de novo.

O Cruzeiro tinha tempo para se organizar.

Quando recuperava a posse, fazia o contrário: acelerava e encontrava o adversário desarrumado.

Artur Jorge deu um nó tático no Barba. Essa foi a verdade.

A marcação celeste encurtou as opções de passe e confiou que o Atlético não teria velocidade para explorar os espaços deixados pela pressão. A aposta funcionou.

O Galo não conseguia escapar e, quando perdia a bola, era um sufoco para recompor.

Com a posse, o Cruzeiro também soube criar dúvidas. Os jogadores de ataque se movimentavam por dentro, os laterais ofereciam passagem e os marcadores atleticanos demoravam a decidir quem acompanhar.

Nesse cenário, Matheus Pereira encontrou o que um jogador da qualidade dele precisa: tempo para pensar.

Em outros clássicos, o meia teve uma marcação muito individualizada, alguém no seu encalço para dificultar cada domínio. Dessa vez, conseguiu receber, levantar a cabeça e participar das jogadas.

O Atlético tentou ocupar o meio, mas não conseguiu controlar quem mais poderia dar qualidade ao ataque rival. E Matheus não jogou sozinho.

Romero ajudou a sustentar o setor.

Zé Lucas mostrou que tem personalidade, mesmo muito jovem.

Jonathan Jesus fez uma atuação muito boa, mais uma vez.

Arroyo e Kaio Jorge deram movimento e opções na frente.

O gol resumiu essa diferença.

O Cruzeiro avançou pelo meio, encontrou Arroyo e terminou a jogada com Kaio Jorge colocando a bola na rede. Houve qualidade na construção e pouca resistência atleticana.

Kaio Jorge “mandando” a torcida do Galo ficar em silêncio – Foto: Gustavo Aleixo

Depois, vieram as chances para ampliar.

Delfim fez defesas importantes, mas também faltou pontaria.

O Cruzeiro teve oportunidades para chegar ao intervalo com uma vantagem bem mais confortável.

Na segunda etapa, Domínguez mexeu e o Galo melhorou.

Minda entrou bem, deu velocidade e passou a incomodar pelo lado.

A sua participação obrigou o Cruzeiro a prestar mais atenção naquele setor e ajudou a empurrar a equipe celeste para trás.

A melhora também reforçou a dúvida sobre a escolha inicial: por que começar sem uma característica tão importante para o funcionamento do time?

Por isso, para o Atlético, a discussão vai além de perder para o rival.

A estratégia não entregou o resultado e exigiu esforço de jogadores importantes numa sequência pesada.

O tamanho dessa conta só poderemos medir no compromisso de domingo pela Copa do Brasil.

Se houver desfalque no ataque, a dificuldade para montar uma equipe com profundidade será ainda maior.

Não dá para afirmar agora que o desgaste decidirá o próximo jogo. Dá para cobrar a escolha feita no clássico: o Atlético gastou energia e, durante boa parte da partida, esteve longe de impor o seu verdadeiro futebol.

O Cruzeiro sai com outra perspectiva.

A vitória reforça a sua recuperação no Brasileiro e a aproximação do objetivo de chegar à Libertadores. Uma caminhada que merece reconhecimento, mesmo com atuações abaixo do esperado em algumas rodadas.

Contra o Remo, ganhou e deixou uma dívida de futebol. Na Arena, entregou organização, intensidade e criação. Aproveitou os problemas do rival porque soube identificá-los e tinha um plano para atacar.

Agora, os dois têm compromissos que exigem mais do que virar a página do clássico.

No domingo, pela Copa do Brasil, o Atlético disputa um jogo de peso para suas ambições na temporada.

Domínguez precisará corrigir o que não funcionou e encontrar soluções com os jogadores que tiver à disposição. A resposta terá que aparecer em campo.

O Cruzeiro volta a jogar na quinta-feira, dia 5, contra o Bahia, com outra responsabilidade: dar sequência ao que apresentou na Arena.

Para os dois, o próximo jogo dirá muito sobre o que essa reta final de temporada ainda reserva.

Arroyo e Reinier disputam bola – Foto: Fernando Moreno
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