O Cruzeiro fez o que precisava fazer.
Entrou mais concentrado, mais organizado e com um plano que funcionou.
O 1 a 0 desta quinta-feira (29), pela 33ª rodada do Campeonato Brasileiro, ficou barato.
Pelo que aconteceu antes do intervalo, uma vitória por dois gols de diferença seria perfeitamente compatível com o que foi a partida.
O primeiro tempo foi praticamente todo azul.
O Cruzeiro teve mérito para construir essa superioridade.
E encontrou um Atlético que abriu mão justamente do que vinha fazendo melhor: jogar com intensidade e acelerar quando recuperava a bola.
Na minha avaliação, Barba errou na estratégia.
Colocou uma equipe forte em campo, mas sem velocidade para atacar os espaços e sem força para pressionar a saída cruzeirense. O Galo ficou sem profundidade.
Faltava gente para receber e arrancar pelos lados.
A bola chegava à frente, a jogada parava e o time precisava voltar ao meio para começar de novo.
O Cruzeiro tinha tempo para se organizar.
Quando recuperava a posse, fazia o contrário: acelerava e encontrava o adversário desarrumado.
Artur Jorge deu um nó tático no Barba. Essa foi a verdade.
A marcação celeste encurtou as opções de passe e confiou que o Atlético não teria velocidade para explorar os espaços deixados pela pressão. A aposta funcionou.
O Galo não conseguia escapar e, quando perdia a bola, era um sufoco para recompor.
Com a posse, o Cruzeiro também soube criar dúvidas. Os jogadores de ataque se movimentavam por dentro, os laterais ofereciam passagem e os marcadores atleticanos demoravam a decidir quem acompanhar.
Nesse cenário, Matheus Pereira encontrou o que um jogador da qualidade dele precisa: tempo para pensar.
Em outros clássicos, o meia teve uma marcação muito individualizada, alguém no seu encalço para dificultar cada domínio. Dessa vez, conseguiu receber, levantar a cabeça e participar das jogadas.
O Atlético tentou ocupar o meio, mas não conseguiu controlar quem mais poderia dar qualidade ao ataque rival. E Matheus não jogou sozinho.
Romero ajudou a sustentar o setor.
Zé Lucas mostrou que tem personalidade, mesmo muito jovem.
Jonathan Jesus fez uma atuação muito boa, mais uma vez.
Arroyo e Kaio Jorge deram movimento e opções na frente.
O gol resumiu essa diferença.
O Cruzeiro avançou pelo meio, encontrou Arroyo e terminou a jogada com Kaio Jorge colocando a bola na rede. Houve qualidade na construção e pouca resistência atleticana.

Depois, vieram as chances para ampliar.
Delfim fez defesas importantes, mas também faltou pontaria.
O Cruzeiro teve oportunidades para chegar ao intervalo com uma vantagem bem mais confortável.
Na segunda etapa, Domínguez mexeu e o Galo melhorou.
Minda entrou bem, deu velocidade e passou a incomodar pelo lado.
A sua participação obrigou o Cruzeiro a prestar mais atenção naquele setor e ajudou a empurrar a equipe celeste para trás.
A melhora também reforçou a dúvida sobre a escolha inicial: por que começar sem uma característica tão importante para o funcionamento do time?
Por isso, para o Atlético, a discussão vai além de perder para o rival.
A estratégia não entregou o resultado e exigiu esforço de jogadores importantes numa sequência pesada.
O tamanho dessa conta só poderemos medir no compromisso de domingo pela Copa do Brasil.
Se houver desfalque no ataque, a dificuldade para montar uma equipe com profundidade será ainda maior.
Não dá para afirmar agora que o desgaste decidirá o próximo jogo. Dá para cobrar a escolha feita no clássico: o Atlético gastou energia e, durante boa parte da partida, esteve longe de impor o seu verdadeiro futebol.
O Cruzeiro sai com outra perspectiva.
A vitória reforça a sua recuperação no Brasileiro e a aproximação do objetivo de chegar à Libertadores. Uma caminhada que merece reconhecimento, mesmo com atuações abaixo do esperado em algumas rodadas.
Contra o Remo, ganhou e deixou uma dívida de futebol. Na Arena, entregou organização, intensidade e criação. Aproveitou os problemas do rival porque soube identificá-los e tinha um plano para atacar.
Agora, os dois têm compromissos que exigem mais do que virar a página do clássico.
No domingo, pela Copa do Brasil, o Atlético disputa um jogo de peso para suas ambições na temporada.
Domínguez precisará corrigir o que não funcionou e encontrar soluções com os jogadores que tiver à disposição. A resposta terá que aparecer em campo.
O Cruzeiro volta a jogar na quinta-feira, dia 5, contra o Bahia, com outra responsabilidade: dar sequência ao que apresentou na Arena.
Para os dois, o próximo jogo dirá muito sobre o que essa reta final de temporada ainda reserva.














