Em protesto, indígenas sujam com lama entrada do escritório da Vale em Nova Lima
Manifestação em Nova Lima na porta da Vale — Foto: Rádio Itatiaia
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Um grupo de indígenas da aldeia Katurãma realiza, nesta quinta (13/8), uma manifestação em frente a um dos escritórios da Vale, no Edifício Concórdia, no Vila da Serra, em Nova Lima (MG).

A mobilização reúne cerca de 63 indígenas, segundo informações da Rádio Itatiaia, e tem como principais reivindicações a realocação definitiva da comunidade para uma área adequada e a reparação integral pelos impactos provocados pelo rompimento da barragem da mina Córrego do Feijão, em Brumadinho, ocorrido em janeiro de 2019.

A aldeia foi criada em 2021 por indígenas das etnias Pataxó e Pataxó Hã-hã-hãe que deixaram a Aldeia Naô Xohã após o rompimento da barragem.

Atualmente, a comunidade possui 147 integrantes, entre adultos e crianças. Os indígenas estão instalados na região da Mata do Japonês, em São Joaquim de Bicas.

Segundo os manifestantes, a situação atual da comunidade é de precariedade. A cacica Ãgohó afirmou à Itatiaia que os moradores estão há mais de seis dias sem acesso adequado à água potável.

Ainda conforme o relato da liderança, animais começaram a morrer e integrantes da comunidade apresentam problemas de saúde.

“Nosso ato é pacífico. Estamos em busca de direitos que estão sendo negligenciados há 7 anos”, afirmou a cacica.

Durante o protesto, os indígenas cantaram, tocaram instrumentos e realizaram danças. Parte do grupo também entrou no edifício em alguns momentos.

A entrada do prédio ficou marcada pela presença de lama, espalhada na recepção e em alguns vidros.

Além da lama, a ação incorporou o “xadrez preto e vermelho”, uma espécie de tintura.

“O preto significa rejeito da lama e o vermelho significando o sangue das vítimas que morreram, o nosso rio, a nossa resistência. Não é uma lama tóxica, não é uma lama contaminada, jamais vamos fazer isso. Foi só para simbolizar a situação do rompimento da barragem, desse crime que a Vale cometeu a Brumadinho, que está no esquecimento”, explicou cacica.

Apesar da movimentação, a Itatiaia informou que esteve no local no início da tarde e constatou que o ato ocorria de maneira pacífica. Funcionários da Vale continuavam conseguindo circular pelo edifício.

Policiais militares acompanham a manifestação. Segundo informações obtidas no local, os agentes solicitaram a presença de representantes da Polícia Federal e da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai).

Os manifestantes afirmam que pretendem permanecer no local até conseguir negociar diretamente com um representante da Vale que tenha autoridade para tomar decisões sobre as reivindicações.

A cacica disse que integrantes da empresa já receberam o grupo, mas que, segundo ela, não tinham poder para solucionar as demandas.

A liderança também reivindica tratamento semelhante ao concedido em outros acordos firmados entre a Vale e comunidades indígenas.

Em nota, a Vale afirmou que cumpre integralmente os acordos já firmados com comunidades indígenas e que permanece aberta ao diálogo.

A empresa declarou ainda que respeita os direitos dos povos indígenas e das comunidades tradicionais, além do direito à realização de manifestações pacíficas.

Segundo a mineradora, também deve ser preservado o direito de ir e vir das pessoas e o funcionamento das empresas.

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