Vinícius Patrocínio de Oliveira Alves, de 35 anos, morreu após ser atingido por golpes de faca na noite desta quinta (5/11), no distrito de Acuruí, em Itabirito (MG).
A companheira dele, de 33 anos, foi conduzida à Delegacia de Polícia Civil na condição de suspeita após apresentar versões divergentes sobre o crime.
CHAMADOS AO 190
De acordo com o registro da Polícia Militar (PM), o 1º acionamento via 190 ocorreu por volta das 18h37. Na ligação, feita do próprio telefone da vítima, Vinícius relatou ter sido agredido pela companheira.
Às 18h55, houve um novo chamado reforçando a solicitação.
Durante o deslocamento das viaturas, às 19h03, outra ligação do mesmo número informou que um dos filhos esfaqueou o próprio pai e que a faca permanecia alojada no abdômen dele.
Um minuto depois, às 19h04, um novo contato com nova versão: um homem, que já estava com uma faca, foi quem esfaqueou a vítima.
Quando a PM chegou, Vinícius já havia sido socorrido pelo Samu e encaminhado à UPA, ainda com a arma cravada no corpo.
Durante o trajeto, o Samu informou ao Centro de Operações da PM (Copom) que a vítima não resistiu.
PERÍCIA E DILIGÊNCIAS NO LOCAL
Na via pública, a cerca de 100 metros da residência do casal, os militares localizaram uma poça de sangue e a isolaram.
No imóvel, os policiais foram atendidos por um dos filhos do casal, que afirmou que a mãe estava tomando banho e que um desconhecido esfaqueou o pai — versão alterada depois, quando o menor disse ter chegado atrasado da escola e não sabia o que ocorreu.
A suspeita demorou cerca de 10 minutos para atender os militares após sair do banho.
Na área externa da casa, os policiais encontraram uma máquina de lavar roupas em funcionamento e notaram pequenas manchas avermelhadas, semelhantes a sangue na borda do cesto.
O perito da Polícia Civil compareceu ao local.
CONTRADIÇÕES
Em relato aos policiais, a suspeita afirmou que na noite anterior (4/11) o companheiro vendeu um celular para comprar drogas e foi para casa na manhã do dia 5/11.
O dia foi passando e ainda segundo ela, ao voltar do trabalho por volta das 18h, ele passou a agredi-la com enforcamento e esganadura. Ela também alegou que Vinícius bateu a própria cabeça contra a parede para provocar lesões em si e culpá-la.
Sobre o esfaqueamento, a mulher declarou que a briga continuou na via pública e que um homem desconhecido saiu de um matagal e desferiu os golpes contra a vítima.
No entanto, conforme o boletim de ocorrência, ela apresentou contradições ao descrever a dinâmica e a rota de fuga:
— 1º disse que o agressor desceu por um lote vizinho e entrou na varanda da casa; depois afirmou que ele veio da rua durante a briga na via pública.
— Inicialmente informou que o suspeito fugiu em direção à Cervejaria Acuruí, mas mudou o relato ao ser questionada sobre a existência de câmeras no estabelecimento, dizendo que ele seguiu apenas pela rua principal.
— Justificou o banho e a lavagem das roupas dizendo que se sujou de sangue ao tentar socorrer a vítima, e afirmou que não acompanhou o marido porque avisou à equipe médica que iria se lavar antes de ir à UPA.
— Negou ter feito as ligações para o 190, sugerindo que os filhos poderiam ter ligado enquanto ela falava ao telefone com a sogra contando o que houve.
LAUDOS E ENCAMINHAMENTOS
O formulário de constatação de óbito emitido às 20h na UPA apontou que a vítima sofreu quatro perfurações: no ombro esquerdo, no epigástrio (boca do estômago), na axila direita e outra no hipocôndrio direito (região do abdômen — onde ficam o fígado e vesícula biliar), foi neste local que a faca ficou presa.
O documento médico também registrou que não havia lesões recentes no rosto da vítima, contrariando o relato da suspeita de que ele teria ferido a própria face. Já na esposa foram constatados pequenos arranhões no antebraço direito.
O corpo de Vinícius foi recolhido pela funerária e encaminhado ao IML, juntamente com a faca utilizada. O celular da vítima não foi localizado.
Os dois filhos do casal foram entregues ao Conselho Tutelar e a suspeita foi levada à Delegacia.
Informações obtidas pelo Radar Geral dão conta de que o delegado ratificou a prisão.
EM TEMPO: em seu depoimento, a suspeita afirmou que sofreu violência doméstica (praticada pelo marido) por mais de 15 anos.











