A vida de Igor Mendes, jovem negro que morreu aos 20 anos durante uma abordagem policial em Ouro Preto, será retratada no cinema. A informação é do jornal Mais Minas.
O longa-metragem de ficção “Arcanjo Negro” foi aprovado, em 2026, no edital de Desenvolvimento de Roteiro da Política Nacional Aldir Blanc (PNAB-MG) e está em fase de desenvolvimento.
A proposta é apresentar a trajetória de Igor desde a infância, com destaque para suas relações familiares, amizades, sonhos e experiências no bairro Morro Santana, onde cresceu. A narrativa será conduzida em primeira pessoa e deverá abordar diferentes momentos de sua vida, incluindo o convívio com a família, os primeiros relacionamentos, o trabalho, o futebol e a música.
O anúncio do projeto aconteceu hoje (4/11), data em que Igor completaria 30 anos. Ele morreu em 15 de setembro de 2017, quando seguia para um show do grupo Racionais MC’s, em Ouro Preto.
A intenção dos realizadores é mostrar quem era o jovem para além das circunstâncias de sua morte, recuperando aspectos de sua história que receberam menos atenção após o caso. O filme também pretende abordar a realidade de outros jovens negros que vivem nas periferias brasileiras e enfrentam situações de violência policial.
IRMÃ DE IGOR PARTICIPA DA CONSTRUÇÃO DO ROTEIRO
A equipe responsável pelo desenvolvimento de “Arcanjo Negro” contará com a participação de Nayara Mendes, irmã de Igor e fundadora do Instituto Igor Mendes.
Após a morte do irmão, Nayara atuou na contestação da versão inicialmente apresentada pela Polícia Militar e participou da mobilização por esclarecimentos e responsabilização pelo caso. Essa atuação contribuiu para o processo que resultou na condenação do policial envolvido na morte do jovem.
Agora, ela colaborará com a elaboração do roteiro, compartilhando lembranças e experiências da família para contribuir com a representação da trajetória de Igor.
MORRO SANTANA SERÁ UM DOS CENÁRIOS DO FILME
O bairro onde Igor viveu com a família deverá ter destaque na produção. A equipe pretende utilizar espaços reais de Ouro Preto, incorporando à narrativa os locais que fizeram parte da vida do jovem e o cotidiano dos moradores da comunidade.
A escolha dos cenários também busca apresentar uma perspectiva diferente da cidade, tradicionalmente associada às igrejas, aos museus e às construções coloniais. A proposta é destacar as histórias e manifestações culturais dos bairros periféricos, aproximando o público da realidade vivida por Igor e outras famílias.
Até o momento, também não há previsão de estreia.








