OURO PRETO (MG) – O que deveria ser um momento de intimidade entre um casal se transformou numa denúncia de invasão de privacidade de proporção inimaginável e, por isso, um sério caso de polícia.
Isso porque esse casal descobriu duas supostas câmeras em dois dos quartos usados por eles. O local é nada menos que um motel: o “Itamara”, na Rodovia dos Inconfidentes (BR-356), mais exatamente no subdistrito de Coelhos — entre o distrito de Amarantina e a cidade de Itabirito.
O INÍCIO DA DESCONFIANÇA
A desconfiança teve início após a postagem de um story em uma página de fofoca do Instagram muito conhecida em Itabirito.
Resumidamente, a postagem insinuava que um lutador de artes marciais e uma tatuadora estavam tendo relações sexuais às escondidas em um motel. “Não tivemos dúvidas que erámos nós”, afirmou o homem do casal em entrevista ao Radar Geral.
Com base no caso do banheiro feminino do União Sport Club, de Itabirito, no qual uma câmera foi colocada numa tomada, o casal resolveu averiguar se algo semelhante estava acontecendo no Itamara.
Os dois decidiram retornar ao motel e o que encontraram confirmou o pior dos receios.
DE FRENTE PARA A CAMA
Determinados a descobrir a verdade, eles decidiram averiguar o quarto 5.
Na verdade, o homem do casal entrou no estabelecimento acompanhado de seu irmão. Dois amigos (um homem e uma mulher), que serviram como testemunhas, chegaram na sequência. Por sua vez, a vítima do sexo feminino ficou esperando na porta do Itamara.
Na vistoria do espaço, veio o choque: ao desmontarem uma tomada de energia posicionada estrategicamente de frente para a cama, foi constatada a existência de um dispositivo muito semelhante a uma microcâmera oculta.
Minutos depois, foi solicitada a troca de acomodação. Ao serem transferidos para o quarto 6 (outro espaço usado pelo casal), um 2º dispositivo idêntico — instalado nos mesmos moldes — foi encontrado.
O CONFRONTO
A descoberta deu início a momentos de tensão no pátio do motel, que dá acesso às garagens dos quartos.
Na discussão com funcionários, as reações foram hostis. Um funcionário teria dito que buscaria um revólver.
Em seguida, o filho do proprietário e responsável pelo motel chegou portando uma chave de fenda. “Você não sabe quem eu sou, vou te mostrar”, teria ameaçado o jovem gerente iniciando uma discussão que escalou até o ponto em que o cliente teve de tomar a ferramenta.
De acordo com o praticante de arte marciais, em dado momento, o gerente queria entrar no quarto sozinho, mas foi impedido. Para a vítima, a intenção era retirar as câmeras. “O filho do dono chegou a dizer que ele próprio ‘reformou’ os dois quartos há pouco tempo”, salientou o cliente.
‘PARECE QUE SÃO CÂMERAS, MAS EU NÃO TIVE CULPA’
Em meio aos embates, uma fala do responsável mostrou-se reveladora: “Vou ser sincero com você! Acho que realmente tem mesmo [câmeras nos dois quartos], mas não é culpa minha”. A declaração foi registrada em vídeo pela vítima.
GERÊNCIA NEGA CRIME E ALEGA INVASÃO DE QUARTOS
Aos militares, o gerente apresentou a seguinte versão: alegou que recebeu chamados de funcionários dizendo que os clientes estavam descontrolados e invadindo quartos — inclusive acomodações ocupadas por terceiros.
O responsável pelo estabelecimento justificou que levou a chave de fenda apenas para averiguar a fiação e que se sentiu intimidado pela postura do cliente.
O gerente se defendeu afirmando desconhecer totalmente quem instalou as prováveis microcâmeras, apontando o fluxo de pessoas como justificativa e garantindo que o motel não monitorava imagens.
EQUIPAMENTOS APREENDIDOS E JUSTIÇA
Diante da denúncia de arma, a Polícia Militar garantiu que realizou varredura na recepção do motel, mas nada foi localizado. Todavia, os clientes contestam e afirmam que essa averiguação da PM não foi feita de maneira criteriosa.
Houve a apreensão das duas tomadas contendo os supostos sistemas de gravação. Os dispositivos foram lacrados e encaminhados para a perícia técnica.
Os envolvidos foram conduzidos ao posto da PM de Cachoeira do Campo.
OUTRO LADO
O Itamara Motel foi procurado pelo Radar Geral. O site ligou para os telefones disponíveis na internet atribuídos ao estabelecimento.
Especificamente por meio do número de WhatsApp que consta no Instagram do Itamara, foram três tentativas de contato (duas mensagens e uma ligação).
O motel, no entanto, não respondeu.
POLÍCIA CIVIL
Além da PM, as vítimas ainda levaram o caso para a Polícia Civil (PC).
O Radar Geral entrou em contato com assessoria de comunicação da PC, que respondeu da seguinte forma:
“A ocorrência foi atendida pela Polícia Militar de Minas Gerais (PMMG), que lavrou um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO). Após a assinatura, os suspeitos assumem o compromisso de comparecimento em audiência perante o Juizado Especial Criminal, em data a ser agendada.”
EM TEMPO: o Radar está aberto para qualquer manifestação do Itamara.
VEJA VÍDEO:












