Atlético joga abaixo do esperado, perde para o Santos e se complica na Sul-Americana
Fred durante o jogo e o "Barba" Dominguez, técnico do Galo - Fotos: Pedro Souza
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Frustração e preocupação. Duas palavras que resumem com muita precisão o sentimento do torcedor atleticano após a derrota por 2 a 0 para o Santos, na Vila Belmiro, pelo jogo de ida das quartas de final da Copa Sul-Americana.

O Atlético ainda está na euforia da classificação sobre o maior rival, resultado que trouxe confiança e renovou as esperanças da torcida. Mas é preciso encarar a realidade: o time precisa acordar. A vitória no clássico não pode servir como cortina para esconder problemas que seguem aparecendo dentro de campo.

Já são duas derrotas consecutivas, ambas com atuações que deixaram mais dúvidas do que certezas. Diante do Santos, o placar acabou sendo até generoso para o Galo. Em vários momentos da partida, a equipe se mostrou desorganizada, vulnerável defensivamente e com enormes dificuldades para criar chances reais de gol.

E é preciso dizer: o Atlético só não voltou para Belo Horizonte com um prejuízo maior porque o jogo terminou. Na reta final, o Santos encontrou espaços com muita facilidade, criou oportunidades claras e teve chances para construir uma vantagem ainda mais confortável.

E é preciso dizer também: a dimensão da importância de Everson para este time é algo surreal. Não apenas pelas defesas, mas pela liderança, pela capacidade de organizar a saída de bola e pela segurança que transmite a todo o sistema defensivo.

Sem Everson, o Galo perde segurança e referência dentro do campo.

O Atlético pareceu um time sem voz. E isso ficou ainda mais evidente quando até jogadores que, normalmente, oferecem regularidade tiveram uma noite irreconhecível.

Fred esteve muito abaixo do seu padrão. Errou passes simples, demorou na tomada de decisão e não conseguiu dar a dinâmica necessária ao meio-campo atleticano.

O mesmo vale para Renan Lodi. Um dos atletas mais confiáveis da equipe nos últimos meses, o lateral acumulou vários passes desperdiçados e descuidos que deram ao Santos oportunidades de acelerar as suas transições.

Até a atuação do Lyanco merece reflexão. Um dos pilares defensivos do Atlético, o zagueiro mostrou sinais de falta de ritmo em diversos momentos da partida.

Isso leva a uma pergunta inevitável: era realmente o momento ideal para utilizá-lo em uma partida desse tamanho? Um jogo de quartas de final de Copa Sul-Americana, fora de casa, exige que todos estejam próximos do auge físico e técnico.

Claro que a derrota está longe de ser responsabilidade individual de algum jogador. Neste caso, o problema foi coletivo.

O resultado deixa um gosto amargo para o torcedor, mas não encerra a disputa. Pelo contrário.

A classificação segue aberta.

A diferença é que agora o Atlético vai precisar fazer aquilo que a sua torcida tantas vezes viu acontecer em noites marcantes: transformar a Arena MRV em um caldeirão e buscar uma atuação de superação.

Para avançar diretamente às semifinais, o Galo vai precisar vencer por três gols de diferença. Se devolver os dois gols sofridos, a vaga será decidida nos pênaltis. O Santos, por outro lado, pode até perder por um gol que seguirá adiante na competição.
Agora, o foco do Atlético se divide entre a recuperação no Campeonato Brasileiro e a preparação para o duelo decisivo da próxima quarta-feira (16), em Belo Horizonte.

Enfim, o Atlético saiu vivo do confronto, mas em dívida com o seu futebol.

A classificação ainda é possível, claro. Porém, vai exigir uma atuação muito mais assertiva do que a apresentada na Vila Belmiro.
A boa notícia para o torcedor é que os últimos 90 minutos serão disputados diante da Massa. E quem acompanha a história recente do clube sabe que, quando o assunto é decisão, nunca é prudente duvidar da força do Galo!

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