O Galo passou! Agora, tem um mês para chegar inteiro
Cuello avança com a bola contra jogador do Torque - Foto: Gastón Britos
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O Galo está na final! Mas, convenhamos: dava para passar sem jogar no limite.

Com a vantagem de 3 a 0 construída em casa, o Atlético podia ter tido uma noite mais tranquila contra o Torque. Só que errou passes demais, ficou preso lá atrás e perdeu por 2 a 0.

Sim, o resultado foi suficiente para garantir a decisão da Sul-Americana contra o Boca Juniors. O futebol, porém, ficou devendo. Ninguém esperava um Galo atacando de qualquer jeito, deixando espaço para o adversário.

Não precisava disso.

Não precisava recuar tanto e passar quase o jogo inteiro tentando tirar a bola de perto do próprio gol. Dava para segurar mais a bola, trocar passes e fazer o Torque correr atrás.

O problema é que o Atlético recuperava a posse e logo entregava de novo. Assim, fica difícil até respirar. É verdade que os jogadores estavam numa noite ruim. Quando o passe mais simples não sai, qualquer plano fica comprometido. Só que Domínguez também precisava ajudar o time a encontrar uma saída. E suas escolhas merecem, sim, discussão. No intervalo, Vitão e Alan Franco já estavam amarelados.

Havia motivo de sobra para pensar em mudanças, principalmente, com Natanael disponível para a lateral direita. O treinador manteve os dois. Depois, fez três substituições e continuou com ambos em campo. Franco acabou expulso no segundo tempo. Claro que o jogador precisa saber disputar uma bola quando já tem cartão. Mas o banco também precisa avaliar o risco.

O Atlético tinha uma boa vantagem e opções para tentar evitar aquela complicação. As mudanças, na minha leitura, também deixaram o time ainda mais preocupado em se defender.

Faltava alguém para segurar a bola na frente, puxar uma jogada e obrigar o Torque a olhar para trás. Quando conseguiu fazer isso, o Galo levou perigo.

No começo do segundo tempo, uma boa troca de passes terminou com Reinier acertando o travessão. Foi uma das poucas vezes em que o ataque funcionou. E, enquanto o time não se encontrava, Gabriel Delfim tratava de segurar as pontas. Que fase vive o goleiro!

Parece que tem um milagre por jogo.

A primeira grande defesa dele no Centenário foi espetacular. Uma bola com tudo para entrar, e ele foi buscar com uma das mãos. Defesa que vale muito numa semifinal. Delfim merece os elogios. Mas existe um detalhe que parte da torcida nem sempre valoriza: o jogo com os pés de Everson faz muita diferença. Everson tem o passe curto para começar a jogada e a bola longa para encontrar um companheiro mais à frente. Quando o adversário aperta a marcação, essas opções ajudam o time a sair do sufoco. E foi justamente uma das maiores dificuldades do Atlético contra o Torque.

A bola saía e voltava. Saía e voltava.

O goleiro também pode ajudar a quebrar essa pressão. No fim, vieram os dois gols uruguaios.

Lyanco falhou no corte antes do primeiro, marcado por Kevin Silva. Depois, Kagelmacher fez o segundo.

A vantagem construída em Belo Horizonte deu conta do recado, mas terminou menor do que precisava. Agora, calma lá: esse jogo ruim não pode apagar tudo o que o Atlético vem fazendo. O Galo desta segunda metade da temporada é um time confiável.

Já mostrou que sabe competir, responder às dificuldades e buscar resultados. Até a final, há um mês. Tempo para corrigir o que deu errado e trabalhar para ter os principais jogadores bem fisicamente. A decisão contra o Boca será em 21 de novembro, em Barranquilla. Ruan Tressoldi e Fred fazem muita falta.

Ter os dois recuperados daria mais opções a Domínguez e ajudaria o time numa reta final em que o desgaste pesa. Ambos vêm tratando lesões. Borbas e Scarpa também podem ajudar bastante.

São alternativas para mudar uma partida e nomes que podem fazer diferença se a decisão chegar aos pênaltis. Numa final, ter boas opções no banco pode valer a taça. Para mim, o trabalho agora é esse: recuperar quem está fora, cuidar de quem vem jogando e ajustar o time. O torcedor tem muito que comemorar: chegar a uma final continental é coisa grande. E esse Atlético já mostrou futebol para disputar o título.

Contra o Boca, porém, não haverá três gols de vantagem para proteger.

O Galo tem um mês para chegar inteiro. E jogar o que sabe!

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