O gol foi de Igor Gomes. A vitória teve participação de muita gente. E essa talvez seja a melhor explicação para o momento do Atlético.
O 1 a 0 sobre o Coritiba, no sábado (17/10), na Arena MRV, pela 31ª rodada do Brasileiro, levou o Galo aos 50 pontos. Mas o resultado também mostrou uma equipe capaz de mudar quase toda a escalação e continuar disputando o jogo dentro de uma ideia reconhecível.
Eduardo Domínguez fez dez alterações em relação ao compromisso anterior. Claro que houve um preço.
No primeiro tempo, sobrava disposição para ocupar o campo adversário, mas faltava qualidade para transformar circulação de bola em oportunidade limpa.
O Atlético chegava pelos lados, ensaiava combinações e frequentemente perdia a jogada no último passe. Tomás Pérez pouco acrescentava à construção. Minda encontrava espaço pela direita, mas faltava capricho na sequência.
Cissé teve uma noite especialmente imprecisa. A bola chegava, a possibilidade aparecia e o passe seguinte desmontava o ataque.
Dominar território ajuda. Encontrar o caminho até o gol exige mais.
O Coritiba ameaçava principalmente nas bolas paradas, alimentadas também por faltas evitáveis na intermediária. Era o tipo de partida em que o mandante parece ter tudo sob controle, mas deixa o adversário a uma cobrança de transformar tranquilidade em dor de cabeça.
Domínguez precisava mexer. E mexeu com tempo para as mudanças produzirem efeito.
Aos 16 minutos do segundo tempo, colocou Castaño, Cuello e Renan Lodi. Mais tarde, Victor Hugo entrou no lugar de Cissé.
O meia participou da construção do gol: encontrou Natanael pela direita, o lateral cruzou rasteiro para trás e Igor Gomes finalizou de primeira, aos 32 minutos.
A sequência explica o que faltava antes: passe que supera a marcação, avanço no momento certo e chegada de outro jogador para concluir. A defesa precisa acompanhar a bola e, ao mesmo tempo, decidir quem vai seguir cada movimento.
Quando hesita, o espaço aparece.
Castaño tem peso nessa transformação. O seu passe por dentro oferece uma saída para um time que, em determinados momentos, fica previsível ao procurar repetidamente as laterais.
Ele encontra companheiros entre as linhas e permite que o Atlético avance sem precisar contornar a defesa inteira.
Isso também favorece quem joga aberto. Quando o adversário precisa proteger o centro, já não consegue deslocar tanta gente para a ponta.
E deixar Cuello com espaço para acelerar tem sido um convite ao sofrimento.
Na minha leitura, o argentino está entre os jogadores mais difíceis de enfrentar no um contra um neste segundo semestre de 2026.
Arranca, sustenta o contato e insiste. O marcador mal termina de ajustar o corpo e ele já está atacando o próximo metro.
Há ainda a movimentação de Reinier. Sair da referência, oferecer apoio e arrastar um defensor são ações que nem sempre recebem o destaque da finalização. Mas ajudam a explicar por que outro jogador aparece livre.
Um ataque funciona melhor quando seus integrantes criam espaço uns para os outros.
É aí que o Atlético de Domínguez ganha interesse.
O treinador pode transmitir uma serenidade incomum à beira do campo. O time, porém, compete com intensidade. Marca, disputa e tenta recuperar a bola para atacar novamente.
Julgar o trabalho pela quantidade de gestos na área técnica seria perder de vista o que acontece entre as quatro linhas.
Considerando a evolução da equipe e as respostas encontradas ao longo da temporada, vejo o trabalho de Domínguez entre os melhores do país.
O salto de rendimento depois da pausa para a Copa é perceptível na organização, na confiança para trocar passes e na distribuição de responsabilidades.
Ainda há problemas.
A dificuldade para criar contra uma defesa organizada apareceu no sábado. A dependência de algumas peças para melhorar o passe também.
Uma boa fase não dispensa correções. Oferece condições melhores para fazê-las.
Mas existe um sinal forte de consistência: o Atlético consegue vencer sem exigir que o mesmo jogador resolva tudo.
Contra o Coritiba, coube a Igor Gomes finalizar. Victor Hugo ajudou a abrir o caminho. Natanael deu a assistência.
Quem começou no banco interferiu no jogo de quem já estava em campo. Essa relação importa muito numa temporada que exige rodar o elenco.
O Galo terminou a noite com oito partidas consecutivas sem derrota. Como mandante, chegou a 17 jogos de invencibilidade. São sequências que dão sustentação à confiança, além da impressão deixada por uma atuação isolada.
O próximo passo é fazer essa organização resistir quando o espaço diminuir, o adversário apertar e as decisões pesarem mais.
Por enquanto, o Atlético tem mostrado que pode buscar soluções em diferentes jogadores. Se um encontra dificuldade, outro oferece o passe, abre espaço ou aparece para finalizar.
Contra o Coritiba, Igor Gomes deu o toque decisivo.
O mérito de Domínguez está em construir um time no qual a responsabilidade é de todos, e a próxima vitória pode sair dos pés de qualquer um.














