
A última rodada do Campeonato Brasileiro, antes da Data Fifa, deixou sentimentos distintos para Cruzeiro e Atlético, e reflexões importantes que precisarão ser feitas durante este período de pausa.
Enquanto o Cruzeiro voltou de Salvador com três pontos fundamentais na bagagem, o Atlético saiu da Arena MRV com a amarga sensação de que deixou escapar uma vitória que parecia perfeitamente ao alcance.
E, talvez, a palavra que melhor conecte os dois cenários seja uma só: eficiência.
O Cruzeiro foi ao Barradão pressionado.
A sequência recente de resultados aumentou a cobrança da torcida e tem gerado dúvidas sobre a capacidade do time de reagir na competição.
O ambiente não está bom, na verdade.
No sábado, torcedores estiveram na Toca da Raposa protestando e cobrando mais entrega e comprometimento do elenco.
Diante desse contexto, vencer era quase uma obrigação.
Mas o triunfo não veio sem sustos.
O primeiro tempo da equipe celeste foi, mais uma vez, preocupante.
Faltou intensidade, agressividade e, principalmente, personalidade para enfrentar um adversário que também precisava desesperadamente do resultado.
O Cruzeiro parecia um time travado emocionalmente, carregando o peso da pressão acumulada nas últimas semanas.
Na volta do intervalo, porém, a postura foi completamente diferente.
O time voltou mais ligado, mais competitivo e disposto a buscar a vitória.
Foi a prova de que muitas vezes o problema não está na capacidade técnica do elenco, mas na forma como ele entra em campo.
E aí entra um mérito importante de Artur Jorge.
O treinador percebeu rapidamente o que precisava ser corrigido e mexeu bem na equipe.
O chamado “dedo do técnico” apareceu em um momento decisivo.
A leitura do jogo foi rápida e as mudanças surtiram efeito.
Individualmente, Arroyo foi o grande destaque da partida. Participou intensamente das ações ofensivas e foi o jogador mais influente do Cruzeiro no Barradão.
Otávio e Jonathan Jesus também tiveram atuações sólidas, enquanto Felipe Morais segue mostrando que talento não tem idade. Ele tem maturidade, personalidade e uma naturalidade impressionante para assumir responsabilidades.
Mas a vitória não deve encobrir algumas questões que continuam merecendo atenção.
Existem comportamentos que despertam preocupação.
Alguns jogadores têm aparentado pouca conexão dentro de campo.
Certas jogadas são abandonadas cedo demais, algumas tomadas de decisão parecem carregadas de individualismo e a linguagem corporal de determinados atletas não transmite confiança.
A impressão é de que existe algo que ainda precisa ser ajustado internamente.
Não se trata de afirmar que há um problema de relacionamento no elenco, mas é impossível ignorar sinais que sugerem um ambiente menos harmonioso do que se espera em uma reta decisiva de campeonato.
Já no Atlético, a sensação é de oportunidade desperdiçada.
O empate diante da Chapecoense, dentro da Arena MRV, é daqueles resultados que incomodam pelo contexto.
O Galo começou a partida impondo seu ritmo.
Durante os primeiros 20 a 30 minutos, dominou amplamente as ações, teve posse de bola, criou oportunidades e demonstrou superioridade técnica e tática sobre o adversário.
Mas faltou aquilo que tem separado grandes campanhas das campanhas apenas razoáveis: capricho.
O Atlético construiu as jogadas, criou volume ofensivo e chegou ao último terço do campo com facilidade.
O problema apareceu justamente no momento mais importante: a conclusão.
Faltaram calma, precisão e frieza.
E o futebol costuma ser cruel quando uma equipe desperdiça oportunidades em excesso.
Mesmo dominando a posse de bola e finalizando muito mais do que o adversário, o Atlético viu a Chapecoense aproveitar uma das poucas oportunidades que teve para abrir o placar.
A partir daí, algo que já vem acontecendo em alguns momentos da temporada voltou a se repetir: a queda de intensidade.
O time perdeu ritmo, diminuiu a pressão sobre a saída de bola adversária e passou a apresentar dificuldades na recomposição defensiva.
A escolha por uma equipe mais leve e técnica trouxe benefícios ofensivos, mas cobrou seu preço sem a bola.
A transição defensiva foi lenta.
A marcação perdeu agressividade.
Os espaços começaram a surgir.
E a Chapecoense percebeu isso.
Talvez o aspecto mais questionável tenha sido justamente a demora para corrigir os problemas que estavam evidentes. Algumas alterações pareciam necessárias logo no intervalo, mas demoraram a acontecer.
Quando vieram, entretanto, surtiram efeito.
Cassierra entrou muito bem, marcou o gol de empate e se transformou na principal notícia positiva da partida. Em um momento de cobranças e questionamentos, mostrou presença de área, oportunismo e capacidade para ser uma alternativa importante no elenco.
O empate, contudo, não elimina a frustração.
O Atlético perdeu pontos que podem fazer falta lá na frente, especialmente porque disputa posição com concorrentes diretos que estão dedicados exclusivamente ao Campeonato Brasileiro.
Em uma competição tão equilibrada, desperdiçar pontos dentro de casa contra equipes que brigam na parte inferior da tabela costuma custar caro.
Ainda assim, não é momento para desespero.
A pausa da Data FIFA chega em excelente momento para os dois clubes mineiros.
No Cruzeiro, servirá para consolidar a recuperação e corrigir questões que vão além do aspecto tático.
No Atlético, será uma oportunidade de recuperar fisicamente o elenco, melhorar as transições defensivas e aprimorar a eficiência ofensiva.
O Campeonato Brasileiro retorna apenas em outubro.
No dia 7, o Cruzeiro recebe o São Paulo no Mineirão.
No dia 8, o Atlético visita o Athletico Paranaense na Arena da Baixada.
Até lá, os dois terão tempo para refletir.
As próximas semanas serão de análise, conversas e ajustes.
E, talvez, esse seja justamente o maior desafio para Cruzeiro e Atlético: aproveitar a pausa para entender o que realmente precisa ser ajustado. A resposta começa a ser construída agora e será conhecida quando a bola voltar a rolar em outubro.













