Os contrastes de uma temporada inesperada em Minas
Vitão e Kaio Jorge durante jogos no fim de semana - Fotos: Gustavo Aleixo e Pedro Souza
Compartilhe:

O futebol mineiro vive um momento paradoxal se considerarmos as expectativas criadas no início da temporada de 2026.

O Cruzeiro, que parecia pronto para dar um salto de competitividade após investimentos significativos em seu elenco, ainda busca respostas para a falta de desempenho e para o impacto das eliminações nas duas competições de mata-mata que estava disputando.

Já o Atlético, que iniciou o ano cercado por desconfiança e limitações reconhecidas no grupo de jogadores, mostra evolução consistente e colhe os frutos de um trabalho que tem sabido extrair o máximo de suas peças.

Nas últimas semanas, por exemplo, o que temos visto é justamente o reflexo desse cenário. O Cruzeiro, ainda tentando digerir as eliminações, tem demonstrado ser uma equipe abatida técnica e emocionalmente.

Falta intensidade, faltam soluções em campo e, principalmente, falta a entrega que o torcedor espera de um elenco que custou caro aos cofres do clube.

É justamente nesse ponto que a diretoria precisa agir de forma mais firme. O investimento realizado trouxe a obrigação de resultados e desempenho, algo que, até aqui, não tem sido correspondido pelos jogadores. A cobrança é inevitável quando a produção em campo está tão distante da qualidade que se imaginava desse grupo.

O que acontece com um grupo que, em diversos momentos, parece não compreender o tamanho da camisa que veste? Como explicar uma queda de rendimento tão acentuada em tão pouco tempo? E o que dizer de um sistema defensivo que passou a transmitir insegurança a cada partida?

Se não fosse a atuação inspirada do goleiro Otávio, na derrota para o Santos, no último sábado (12), na Vila Belmiro, o Cruzeiro poderia ter saído de campo com um placar ainda mais doloroso. Otávio evitou que o prejuízo fosse maior e evidenciou um problema que a comissão técnica e a diretoria já não podem mais ignorar.
O problema do Cruzeiro não está apenas nos resultados. Está também na maneira como eles acontecem. A equipe tem perdido disputas importantes no meio-campo, setor que deveria ser justamente a força de um elenco construído com alto investimento.

Falta intensidade na marcação, qualidade na saída de bola e capacidade de controle do jogo.
Chama a atenção, por exemplo, o pouco protagonismo de Lucas Silva sob o comando de Artur Jorge. Experiente, identificado com o clube e com capacidade para organizar a equipe, o volante tem sido pouco acionado em momentos nos quais o Cruzeiro precisa justamente de liderança e construção.

Da mesma forma, Zé Lucas, uma das melhores revelações recentes do futebol brasileiro, segue tendo oportunidades limitadas, quase sempre entrando quando as partidas já estão definidas e sua capacidade de mudança acaba reduzida.

As escolhas da comissão técnica obviamente fazem parte do processo, mas elas também precisam ser debatidas. Afinal, como recuperar o nível de competitividade sem utilizar alternativas que poderiam oferecer mais dinâmica e intensidade ao time?

O resultado é um Cruzeiro que se tornou previsível, vulnerável e excessivamente dependente de soluções individuais.

Do outro lado, o Atlético dá sinais de crescimento mesmo sem contar com um elenco considerado de primeira prateleira.

As derrotas para os últimos adversários acenderam um alerta, mas a resposta veio rapidamente na vitória sobre o Fluminense, no último sábado (12), na Arena MRV: a atuação consistente mostrou uma equipe organizada, competitiva e consciente daquilo que precisa fazer para vencer.
Grande parte dessa evolução passa pelo trabalho do técnico Barba.

Aos poucos, ele conseguiu dar identidade ao time, ajustar setores e encontrar alternativas para suprir as limitações do elenco. O Atlético hoje parece uma equipe que compreende suas virtudes e sabe explorá-las, independentemente das dificuldades que encontra pelo caminho.

É um time que evoluiu coletivamente, ganhou confiança e apresenta um futebol muitas vezes superior à capacidade individual de suas peças, mérito direto de uma comissão técnica que tem conseguido extrair o máximo de cada jogador.
Mas também é impossível não destacar alguns nomes que simbolizam esse momento de crescimento.

O zagueiro Vitão, por exemplo, aproveitou a sequência de oportunidades recebida em meio aos problemas físicos que atingiram o sistema defensivo, especialmente com as ausências de Lyanco e Ruan Tressoldi, e tem mostrado personalidade e segurança.

No setor ofensivo, Cuello segue sendo uma das principais válvulas de escape da equipe, oferecendo intensidade, movimentação e poder de decisão.

Até Reinier tem se mostrado um outro jogador: mais confiante, vem encontrando espaços, fazendo gols importantes e sendo mais estratégico dentro de campo. Se antes era alvo de questionamentos pela irregularidade, hoje consegue contribuir efetivamente para o funcionamento coletivo da equipe.
Outro destaque é Fred. Recém-chegado, o jogador parece ter compreendido rapidamente a proposta de jogo e vem agregando qualidade ao grupo.

Renan Lodi também tem sido importantíssimo pela versatilidade e pelo rendimento em prol do coletivo.
O mais importante, porém, é perceber que o Atlético já não depende exclusivamente de uma individualidade para alcançar seus objetivos.

Essa talvez seja a maior virtude construída por Barba até aqui: transformar um elenco limitado em um time competitivo.
E é justamente aí que está a principal diferença entre os dois mineiros neste momento.

Enquanto o Cruzeiro parece preso às próprias frustrações, tentando encontrar explicações, o Atlético segue encontrando soluções e evoluindo mesmo diante das adversidades.

Precisamos entender que futebol não é decidido apenas por cifras, nomes ou projeções.

É decidido por desempenho, comprometimento e capacidade de reação.

Compartilhe: