Atlético sente os desfalques, e Cruzeiro reencontra o caminho
Atlético e Cruzeiro entraram em campo no fim de semana - Fotos: Pedro Souza e Gustavo Aleixo
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Atlético e Cruzeiro entraram em campo pressionados pela necessidade de pontuar na 26ª rodada do Campeonato Brasileiro e reduzir a distância para o G4. O contexto, porém, era bem diferente para os dois.

De um lado, um Atlético em alta após a importante vitória sobre o rival na Copa do Brasil. Do outro, um Cruzeiro que ainda tentava se reconstruir depois do duro golpe sofrido justamente diante do Galo.

No MorumBIS, a derrota por 2 a 0 para o São Paulo encerrou uma sequência de 14 jogos de invencibilidade atleticana e escancarou um problema que acompanha a equipe há algum tempo: a dependência de algumas peças-chave.

Sem Everson, Ruan Tressoldi e Victor Hugo, Eduardo Domínguez precisou recorrer a improvisações. Alan Franco voltou a atuar na zaga e o jovem Vitão ganhou nova oportunidade. Eram soluções possíveis para o momento. Mas o time sentiu.

A ausência de Everson, especialmente, pesou além do esperado. Não apenas pelas defesas. O goleiro se tornou uma peça fundamental na saída de bola sob pressão. Sem ele, o Atlético teve enorme dificuldade para iniciar as suas ações, desde o campo defensivo, e passou boa parte da partida devolvendo a posse ao adversário.

O resultado foi um time desconectado. O meio-campo pouco participou, os atacantes receberam poucas bolas em condições favoráveis e o São Paulo controlou as ações durante boa parte do confronto.

As mudanças feitas pelo Barba no segundo tempo alteraram pouco. Fred trouxe mais intensidade ao setor central, enquanto Alan Minda ofereceu velocidade pelos lados. Ainda assim, a melhor oportunidade atleticana nasceu justamente dos pés do equatoriano, que desperdiçou um contra-ataque que poderia recolocar o time no jogo.

Mais do que a derrota, ficou a sensação de que o elenco ainda carece de reposições confiáveis, principalmente no setor defensivo. Quando os titulares ficam fora, a queda de rendimento é perceptível. E em um calendário apertado, com três competições simultâneas, isso costuma cobrar seu preço.

Agora, o Atlético vira a chave e volta suas atenções para um dos jogos mais importantes da temporada. Com a possibilidade de recuperar algumas peças, o Galo vai encarar o Santos, na Vila Belmiro, pela Copa Sul-Americana. Um duelo que pode dizer muito sobre o que o clube ainda pode alcançar em 2026.

Se o Atlético encerrou a rodada com preocupações sobre a profundidade do elenco, especialmente no setor defensivo, o Cruzeiro saiu de campo com respostas importantes para os seus problemas recentes.

Depois de uma sequência de atuações abaixo da expectativa e da eliminação na Copa do Brasil, a equipe de Artur Jorge entrou em campo com mudanças importantes. A principal delas foi a entrada de Matheus Henrique no lugar de Wesley, alterando o esquema para um 4-4-2 mais equilibrado.

A mudança funcionou.

Com mais força no meio-campo, Matheus Pereira ganhou liberdade para circular, criar e finalizar. O Cruzeiro se mostrou mais intenso, mais organizado e muito mais competitivo desde os minutos iniciais diante do Athletico-PR.

A equipe controlou boa parte da partida, pressionou quando precisou, criou oportunidades e transformou a superioridade em gols. No segundo tempo, soube administrar a vantagem sem abdicar de atacar, algo que vinha faltando em jogos recentes.

Mas os três pontos dividiram espaço com um episódio que voltou a gerar debate entre os torcedores.

Antes da segunda cobrança de pênalti da partida, Matheus Pereira e Kaio Jorge protagonizaram uma nova discussão sobre quem ficaria responsável pelo chute. A cena lembrou o que já havia acontecido contra o Atlético na Copa do Brasil e trouxe uma sensação de desorganização em um momento que deveria ser absolutamente protocolar.

Em um time que busca recuperar a confiança da torcida, episódios assim geram desgaste desnecessário.

Ainda mais porque Kaio Jorge é o cobrador oficial da equipe e possui ótimo aproveitamento em penalidades. Quando os papéis estão definidos, o ideal é que sejam respeitados. Isso evita ruídos e mantém o foco exclusivamente no desempenho do time em campo (que foi extremamente positivo).

O Cruzeiro voltou a mostrar competitividade, intensidade e comprometimento. A Raposa assumiu a liderança do returno do Brasileirão, dividindo o posto com o próprio Athletico Paranaense, tendo 66,7% de aproveitamento.

Destaque para Romero, Matheus Henrique, Gerson e Matheus Pereira, responsáveis por ditar o ritmo da partida. E, também, para o goleiro Otávio, que segue acumulando atuações de alto nível e que pode pintar como novidade na convocação da Seleção Brasileira na próxima quarta-feira, dia 9 de setembro.

Ao fim da rodada, o Atlético chegou embalado, mas sentiu as ausências e o próprio desgaste depois de uma classificação heroica em cima do maior rival. O Cruzeiro chegou pressionado, porém, encontrou soluções que ajudaram a equipe a reagir.

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