Procurada pelo Radar Geral, a ex-secretária de Patrimônio Cultural e Turismo da Prefeitura de Itabirito, Junia Melillo, respondendo a questionamentos do site, disse que ela pediu exoneração do cargo e afirmou que sua saída está relacionada à sua discordância com o projeto de lei (PL) que “enfraquece a proteção do patrimônio histórico e cultural do município”.
Trata-se do PL substitutivo 196/2026 que, de acordo com a Prefeitura, “moderniza o Conselho Municipal de Patrimônio Cultural (Conpatri), fortalecendo suas capacidades técnica, consultiva, participativa e fiscalizatória, sem ampliar seu poder decisório final”.
Em suma, o Conpatri, se o PL vingar, deixará de ser deliberativo para ser consultivo.
Juninha, como ela é conhecida, informou que formalizou o pedido de sua exoneração no dia 19/8 e que deixou efetivamente a função em 31/8. “Saí porque não concordo com essa lei que desmonta a proteção do patrimônio de Itabirito”, declarou a ex-secretária, que também era presidente do Conpatri.
AVANÇO
“Vínhamos fazendo um ótimo trabalho, com grandes avanços na defesa do patrimônio, inclusive conseguindo contrapartidas interessantes para o município”, disse Junia a respeito do trabalho desenvolvido por ela e sua equipe.
NÃO FOI CONSULTADA
Segundo a ex-secretária, ela foi pega de surpresa com a mudança em curso.
“Não fui consultada nem sequer comunicada sobre o projeto que estava sendo elaborado, de forma que me senti muito desconsiderada e desrespeitada pelo grupo”, disse.
CONTUDO, GRATA…
A ex-secretária afirmou ao Radar que prefere não tornar pública a conversa que teve com o prefeito Elio da Mata sobre sua saída.
“Eu tenho lealdade e gratidão principalmente ao Orlando, que me levou para lá, e ao doutor e ao Rapha por terem me mantido”, afirmou, referindo-se ao ex-prefeito Orlando Caldeira, ao atual Elio da Mata e ao vice-prefeito Raphael Rondow.
“Me senti honrada e me senti orgulhosa por poder atuar na área artística, que é a minha área”, salientou.
PROJETO EM TRAMITAÇÃO NA CÂMARA
De autoria do Poder Executivo, o polêmico projeto está em tramitação na Câmara.
Os vereadores de oposição Renê Butekus e, mais recentemente, Max Fortes pediram vistas.
Segundo Renê, estranhamente, o PL não foi pautado nas duas reuniões extraordinárias, a de quinta (3/8) e de sexta (4/8).
Definitivamente, não são poucos os desgastes políticos advindos dessa proposta da Prefeitura. Os milhares de comentários em grupos de WhatsApp, por exemplo, são de repulsa à mudança.
DEFESA DO PROJETO
Na justificativa do PL, administração municipal garante que tal “Projeto de Lei não diminui a proteção cultural, mas a fortalece ao aprimorar os instrumentos administrativos, garantindo decisões mais técnicas, transparentes, participativas, motivadas e juridicamente consistentes. Representa uma evolução institucional que alinha a política municipal de patrimônio cultural aos princípios constitucionais da boa administração, segurança jurídica, participação democrática e governança pública contemporânea”.
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