Um crime meticulosamente planejado, motivado por ganância e encoberto por documentos falsos. É assim que a Polícia Civil (PC) descreve a trama que levou à morte de Everaldo Gregório de Souza (de 60 anos) e do norte-americano Thomas Stephen Lydon (de 65 anos): casal que vivia há mais de 30 anos em Governador Valadares (Vale do Rio Doce – MG).
Um morreu seis dias após o falecimento do outro, em junho deste ano, e chegaram a ser enterrados como se os óbitos fossem por causas naturais.
A suspeita de familiares levou à exumação dos corpos e deu início a uma investigação que revelou um esquema de envenenamento supostamente arquitetado pela irmã de Everaldo (de 52 anos) com a ajuda de um homem (de 35 anos) amigo do casal.
Os dois envolvidos foram presos em 4/11. Dias depois, com a conclusão do inquérito, a corporação divulgou detalhes do caso e indiciou cinco pessoas pelo duplo homicídio. Grupo esse que, segundo a PC, movimentou mais de R$ 2 milhões após os óbitos.
Entre os indiciados está uma advogada que teria coagido testemunhas durante a apuração.
Os demais, cujas identidades não foram reveladas, responderão por homicídio qualificado, associação criminosa, fraude processual, falsificação de documentos, estelionato e lavagem de dinheiro.
RECEITAS FALSAS E MEDICAMENTOS LETAIS
A PC apurou que os homicídios foram cometidos por meio da administração de medicamentos letais dissolvidos em bebidas.
Perícias apontaram intoxicação nas duas vítimas. Para adquirir os remédios, a principal suspeita utilizou receitas médicas falsificadas. Carimbos e receituários foram apreendidos na casa do amigo.
Médicas, que os nomes aparecem nos documentos, negaram ter emitido as prescrições.
MOVIMENTAÇÕES FINANCEIRAS APÓS AS MORTES
Com a morte do casal, o grupo (segundo a PC) teria movimentado valores que incluíram o resgate de uma aplicação de aproximadamente R$ 379,2 mil e a tentativa de venda do imóvel das vítimas por R$ 950 mil.
Também foram identificadas abordagens a testemunhas, resultando na imposição de medidas cautelares à advogada investigada.
Por determinação judicial, cerca de R$ 1,5 milhão em ativos financeiros foram bloqueados, além da restrição de veículos em nome dos suspeitos, visando à reparação dos danos patrimoniais causados aos herdeiros.
O delegado Ciro Roldão, responsável pela investigação, destacou que se tratou de um caso de alta complexidade. “O trabalho policial demandou integração entre diversos setores da instituição, reunindo provas técnicas, documentais e testemunhais que permitiram esclarecer a dinâmica dos crimes e identificar os envolvidos”, disse.















