
“Com 10 minutinhos você ganha R$ 300 kkkkkk”. A mensagem enviada por um fazendeiro a uma adolescente que trabalhava na colheita de café em sua propriedade foi uma das provas que levaram a Justiça do Trabalho de Minas Gerais a condená-lo ao pagamento de R$ 20 mil por danos morais, após reconhecer a prática de assédio sexual.
A informação foi divulgada hoje (12/6) — Dia Nacional e Mundial Contra o Trabalho Infantil — pelo Tribunal Regional do Trabalho (TRT) de Minas Gerais.
O caso aconteceu em Mutum, no Vale do Rio Doce.
Segundo o TRT, a vítima trabalhou sem carteira assinada entre abril e setembro de 2025, quando ainda era menor de idade. Ela morava na fazenda e dependia do emprego para alimentação e outras despesas.
Além das mensagens com ofertas de dinheiro em troca de favores sexuais, o processo aponta que o empregador abordava a adolescente durante o trabalho na lavoura e pedia que ela apagasse as conversas. As propostas chegaram a R$ 600.
Como prova, foram apresentados comprovantes de pagamentos via PIX, fotos e vídeos da propriedade e da colheita, além de conversas de WhatsApp falando sobre os valores pagos pelo serviço e também sobre propostas de cunho sexual.
Ao julgar o recurso do fazendeiro, a 8ª Turma do TRT manteve o reconhecimento do vínculo empregatício e aumentou a indenização de R$ 10 mil para R$ 20 mil. Para o relator, as mensagens evidenciam uma tentativa de exploração da vulnerabilidade da adolescente.
Ainda cabe recurso da decisão.
O TRT não informou se os fatos também são investigados nas esferas criminal e cível.












