Por causa de funk, irmãos matam filho de dona de bar, em Itabirito, e um dos autores pega 14 anos
Promotor Vinícius e advogado de acusação Tulio Resende - Foto cedida ao Radar Geral
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ITABIRITO (MG) – Uma música funk com letra pornográfica foi o começo de uma situação que terminou com o assassinato, de forma covarde, de um homem de 50 anos de idade. O crime aconteceu em 2020.

Wellington Gomes Maia, na época com 19 anos, foi um dos autores. Ele foi condenado nesta terça (9/9) pelo Tribunal do Júri, presidido pela juíza Vânia da Conceição Pinto Borges, a 14 anos de prisão.

Já Wesley Gomes Maia (que no dia do crime tinha 18 anos), irmão de Wellington, foi condenado à mesma pena no 1º julgamento (em outubro de 2021) do caso.

O CRIME

O homicídio se deu num domingo (26/1) de 2020. Os dois autores estavam num bar na região do Saboeiro quando resolveram escolher um funk numa jukebox do estabelecimento.

A letra, repleta de pornografia, incomodou a dona do bar, na época com 80 anos, que pediu que os irmãos desligassem a música.

Rafael, que foi contratado pela família da vítima para ser um dos advogados de acusação e atuar juntamente com o MP no caso – Foto cedida ao Radar Geral

Por causa da situação, o filho da proprietária repreendeu os autores – que ficaram inconformados.

Na sequência, o filho saiu para recolher o gado. Quando retornou, os irmãos enfurecidos o atacaram.

Wesley arremessou uma pedra na cabeça da vítima, que caiu desacordada.

Wellington, então, colocou os joelhos sobre o peito da vítima e, com uma pedra, deu vários golpes na cabeça do filho da dona do estabelecimento.

O promotor Vinícius Alcântara Galvão destacou a brutalidade do crime. “Os réus, sem qualquer sentimento de comiseração, maceraram o rosto da vítima, levando-a a óbito na frente da mãe, uma senhora octogenária”, disse.

Wellington foi condenado por homicídio duplamente qualificado, com o reconhecimento das qualificadoras do motivo fútil e meio cruel.

No 1º julgamento, Wesley foi condenado; e Wellington, absolvido. O Tribunal considerou a absolvição contrária às provas dos autos e mandou refazer o Tribunal para julgar, especificamente, Wellington.  

Para o MP, “a decisão foi importante porque a sociedade, representada pelo júri, precisa deixar claro que é firme no combate à criminalidade, e que, ao ter empatia com o sofrimento da família da vítima, repudia frontalmente uma situação tão brutal quanto a dos fatos julgados”.

Equipe do MP e da acusação: trabalho em conjunto – Foto cedida ao Radar Geral

“O autor tinha menos de 21 anos na época do crime. Tal situação pesa bastante para tornar a pena mais baixa. Se ele já tivesse 21 ou mais, a pena teria sido maior”, explicou o promotor.

No caso, o promotor atuou juntamente com os assistentes da acusação: os advogdos Tulio Resende e Rafael Bernardes. Já a defesa esteve a cargo do advogado Juliano dos Santos Pereira.

EM TEMPO: Wellington chegou a ficar preso por pouco tempo, mas foi solto com a absolvição do 1º julgamento. Segundo o MP, esse tempo não significará abatimento substancial na condenação que ele recebeu.

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