Com participação de professores de Itabirito (MG) uma pesquisa que analisa o fenômeno conhecido como “demissão silenciosa” (quiet quitting) conquistou o 1º lugar na categoria artigo acadêmico do Prêmio CFA Belmiro Siqueira de Administração 2025, promovido pelo Conselho Federal de Administração (CFA).
Intitulado “A demissão silenciosa e o ruído do desengajamento: o papel da Administração diante do desafio do quiet quitting”, o trabalho investiga as causas da redução do envolvimento profissional e questiona modelos de gestão excessivamente focados em controle, desempenho e métricas, que acabam deixando em segundo plano fatores como reconhecimento, propósito e bem-estar dos trabalhadores.
A pesquisa é assinada por Audileia Alves da Paixão Santos, estudante de Administração Pública da Universidade do Estado de Minas Gerais (UEMG), em parceria com os professores Alexandre de Cássio Rodrigues e Thiago Henrique Martins Pereira, moradores de Itabirito, além de Luiz Antônio Abrantes, docente da Universidade Federal de Viçosa (UFV).
O grupo acumula outros reconhecimentos recentes: neste ano, Audileia, Alexandre e Thiago também venceram o Prêmio Guerreiro Ramos, enquanto Alexandre e Abrantes foram finalistas do Prêmio Mérito Rondon.
SOBRE O ESTUDO
O estudo chama atenção para o avanço do quiet quitting, termo que ganhou projeção internacional ao descrever trabalhadores que permanecem empregados, mas passam a cumprir apenas as tarefas mínimas exigidas, reduzindo o vínculo emocional com o trabalho.
Com base em revisão de estudos internacionais e na análise de dados nacionais sobre engajamento, a pesquisa aponta que o Brasil enfrenta um cenário estrutural de baixo envolvimento no trabalho. Entre os fatores identificados estão a carência de reconhecimento, a limitação de oportunidades de crescimento e a distância entre o discurso organizacional e as práticas vivenciadas no dia a dia pelos trabalhadores.
“O quiet quitting não é um problema individual do trabalhador, mas um reflexo de práticas de gestão que fragilizam o reconhecimento e o propósito. Lideranças empáticas, justiça organizacional e oportunidades reais de desenvolvimento são fundamentais para reconstruir vínculos de confiança”, afirma Audileia.
O professor Alexandre de Cássio Rodrigues ressalta que os resultados dialogam diretamente com a realidade de organizações públicas e privadas. “Tratar o desengajamento como um fenômeno sistêmico é essencial. Pensar a Administração a partir do equilíbrio entre eficiência, bem-estar e sentido do trabalho é um caminho para enfrentar os desafios do futuro”, avalia.
SOBRE O PRÊMIO
O Prêmio CFA Belmiro Siqueira 2025 integra as comemorações pelos 60 anos da regulamentação da profissão de administrador no Brasil e é uma das principais iniciativas do Conselho Federal de Administração para incentivar a produção científica na área.
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