
Um estudo sobre o uso da Inteligência Artificial (IA) na gestão pública conquistou o primeiro lugar na categoria pesquisa científica do Prêmio CFA Guerreiro Ramos, uma das principais distinções da Administração no Brasil.
O trabalho vencedor, intitulado “Burocratas Artificiais: responsabilidades, accountability e limites dos Agentes de IA na Administração Pública”, foi desenvolvido por Audiléia Alves da Paixão Santos (de 55 anos), estudante de Administração Pública da Uemg.
A pesquisa teve a orientação dos professores Alexandre de Cássio Rodrigues, servidor federal da Agência Nacional de Mineração, e Thiago Henrique Martins Pereira, supervisor pedagógico da Escola Municipal Laura Queiroz, ambos de Itabirito (MG).
O trabalho resultou em uma proposta voltada ao uso da tecnologia como ferramenta de transformação nos serviços públicos.
O estudo mostra como os agentes de IA podem ir além da simples execução de ordens, atuando de forma autônoma para organizar informações, identificar prioridades e encaminhar soluções. Entre as aplicações destacadas estão a redução de filas em hospitais, a agilidade na análise de benefícios sociais, a detecção de fraudes em licitações e a ampliação da transparência nos processos administrativos.
A edição deste ano, anunciada na quarta (20/8), marcou a celebração dos 60 anos da regulamentação da profissão de administrador e distribuiu R$ 60 mil em premiações.
Para Audiléia, a conquista tem significado que vai além do reconhecimento acadêmico: “O que nos aproxima é o entusiasmo por tecnologia e a crença de que a inovação deve servir às pessoas. Esse prêmio mostra que a educação é um caminho possível em qualquer fase da vida e que nós, servidores públicos, temos muito a contribuir para melhorar os serviços oferecidos à sociedade”.
Alexandre pontuou como a pesquisa traduz esse potencial em propostas concretas: “O estudo mostra que a inteligência artificial pode assumir tarefas repetitivas, como separar documentos e fazer análises iniciais, liberando os servidores para atividades mais importantes. Também aponta como trazer mais transparência às decisões e evitar erros ou injustiças com auditorias constantes. E reforça que decisões delicadas devem continuar nas mãos das pessoas. Esse equilíbrio entre automação e supervisão é o que torna o trabalho especial e mostra caminhos reais para uma Administração Pública mais eficiente e confiável.”
Thiago reforçou a importância do aprendizado coletivo proporcionado pela experiência: “Foi uma experiência transformadora acompanhar de perto o crescimento da Audiléia. Ela representa milhares de estudantes que conciliam trabalho, família e estudo, mostrando que a inovação também nasce dessa diversidade de trajetórias. O trabalho nos lembra que a inteligência artificial só tem valor se for usada com responsabilidade, ética e inclusão, preparando a Administração Pública para os desafios do futuro.”
LEIA TAMBÉM:
– Mulheres na TI: de Itabirito, Marina Antônia, do IFMG Ouro Preto, vence prêmio de importância nacional
– Trabalho feito por itabiritenses sobre inteligência artificial na educação é finalista de prêmio nacional









