
Um sistema de “pare e siga” desorganizado, carretas quebradas e outros transtornos fazem parte da rotina de quem trafega pela Ita 300, via que conecta a BR-356 às localidades de Bonsucesso e Acuruí, em Itabirito (MG). O trecho também dá acesso, por exemplo, à localidade do Maracujá, em Ouro Preto, entre outras regiões.
As queixas sobre a desorganização na estrada, onde a empresa Tazay realiza obras de alargamento, chegaram não apenas por intermédio de vídeo feito pelo vereador de oposição Renê Butekus, mas também por meio de internautas que procuraram o Radar Geral.
A obra é realizada como medida mitigadora a pedido da Prefeitura de Itabirito. Contudo, as licenças ambientais são da Administração Municipal de Ouro Preto (município onde fica o trecho).
“O trânsito aqui tá uma vergonha. Todo dia é uma confusão (…). Aqui passa transporte coletivo e escolar”, desabafou Renê. O vereador ironizou: “Tem cargo nessa empresa que deveria se chamar ‘dorme e siga’. ‘Tô dormindo na barraca’ e deixa o ‘pau quebrar’”.

Butekus ainda relatou que a desorganização no “pare e siga”, quando os dois sentidos foram liberados ao mesmo tempo, quase lhe causou dois acidentes.
Internautas, que preferiram manter o anonimato, corroboraram a fala do vereador. “São obras sem fim, com riscos para a população. No local passam carros com famílias e, em época de chuva, a situação fica ainda mais complicada”, disse um deles.
OUTRO LADO
Ontem, sábado (8/11), o Radar esteve no exato local a convite da própria Tazay para ouvir o posicionamento da empresa. Foi quando a firma apresentou as seguintes informações:
- Treinamento: um treinamento será oferecido aos funcionários para garantir que o sistema “pare e siga” funcione perfeitamente quando necessário.
- Prazo: com a trégua das chuvas, a previsão é que o alargamento total da via termine em cerca de 20 dias.
- Compensações adicionais: como medida mitigadora extra, a empresa construirá uma quadra e a nova sede da Associação do Bonsucesso.
- Progresso: 900 metros da via já foram alargados, restando apenas 100 metros. A conclusão da obra trará mais segurança a todos os usuários.
- Estabilidade: o trecho final de 100 metros sempre sofreu com deslizamentos. A obra, quando finalizada, deve solucionar esse problema.
O TRABALHO DA TAZAY
Ao Radar, nas proximidades do trecho em questão, o engenheiro florestal Antônio Marcos Generoso Cotta (que presta consultoria para a Tazay) mostrou o trabalho de eliminação de voçorocas realizado pela empresa.
A recuperação de áreas degradadas é realizada com o rejeito de minério (que ficou mais abundante após proibição de barragens pelo método a montante).
A Tazay, contratada e remunerada pelas mineradoras, responsabiliza-se pela execução do serviço e efetua o pagamento aos proprietários que permitem a intervenção em suas propriedades para a eliminação das voçorocas.
Não se trata de solução simples ou de curto prazo; é uma operação complexa que exige planejamento, execução técnica e monitoramento contínuo. Há áreas nas proximidades da polêmica via que está em recuperação há 12 anos, sendo que a Tazay assumiu os trabalhos há 2 anos.
Tais ações são bancadas pelas mineradoras como parte de suas obrigações de compensação e recuperação ambiental previstas em lei, visando mitigar os impactos de suas atividades e promover a reabilitação do ecossistema local.
“As voçorocas resultam tanto das características naturais do solo quanto do seu mau uso, sendo a retirada da vegetação — mesmo a rasteira nativa — um dos fatores. Esses processos erosivos impedem a retenção adequada das águas pluviais, o que, por sua vez, eleva o risco de enchentes e contribui para o assoreamento dos rios”, disse Generoso, que salientou que o trabalho realizado pela Tazay, que inclusive remunera os direitos autorais do criador do estudo que embasa a metodologia, é considerado único no país e gera benefícios não só ambientais, mas também sociais.
ÁREAS RECUPERADAS PELA TAZAY (ONDE ANTES ERAM VOÇOROCAS) NAS PROXIMIDADES DA ESTRADA EM QUE ESTÃO SENDO FEITAS AS OBRAS DE ALARGAMENTO:











