ITABIRITO (MG) – O Tribunal do Júri proferiu, nesta quarta (3/12), uma sentença severa que condenou Welber Roberto Jesus da Silva (35) a 66 anos e 6 meses de prisão. Ele foi julgado e considerado culpado por crimes graves, incluindo duas tentativas de feminicídio, uma tentativa de estupro e resistência à prisão.
A pena impressionou os presentes no Fórum, incluindo os experientes policiais penais que conduziam o réu. Welber, que saiu da sessão algemado (nos braços e pernas) e murmurando um lamento, tinha a expectativa infundada de receber um alvará de soltura.
O DIA DOS CRIMES
Os crimes ocorreram na noite de 25/3 deste ano, no distrito de Acuruí.
Welber, natural de Ponte Nova (MG) e com histórico anterior de tráfico de drogas e roubo, tentou forçar a companheira a manter relação sexual com ele.

Durante discussão, a vítima foi agredida com um soco no antebraço.
Welber então prometeu, armado com um facão, “cortar a cabeça dela” caso ela tentasse sair.
A vítima, então, desesperadamente fugiu para uma área de mata fechada, levando nos braços a filha do casal, de apenas 2 anos de idade.
Mãe e filha passaram a madrugada escondidas, dormindo sentadas, até serem localizadas por Welber na manhã seguinte. Foi quando o agressor esganou a companheira, acusando-a de estar com outro homem no mato e ameaçando, desta vez, cortar a cabeça tanto dela quanto da criança.
Em seguida, deu um soco na boca da mulher, “causando lesão e a quebra dos dentes remanescentes, visto que, aproximadamente um ano antes, o autor já havia quebrado outros dentes da vítima”, informaram os registros da PM.

MAIS AMEAÇAS
A prisão de Welber exigiu o uso de força por parte dos militares. Mesmo durante a condução para a delegacia, em estado de descontrole, o autor manteve as ameaças, afirmando reiteradamente que mataria a esposa, a filha e os próprios policiais.
A argumentação da Defesa, de que as palavras teriam sido proferidas em um momento de raiva sem real intenção de matar, não convenceu o corpo de jurados.

DESESTÍMULO AO FEMINICÍDIO
Para o promotor de Justiça, Vinícius Alcântara Galvão, que conversou com o Radar Geral, a condenação serve como desestímulo claro ao feminicídio. “Desde o ano passado, houve aumento de pena para esse tipo de crime”, informou.
Para sustentar a acusação, o representante do Ministério Público (MP) citou a peça “A Vida de Galileu”, de Bertolt Brecht, defendendo a ideia de que “temos que acreditar em nossos olhos e ouvidos”. Galvão concluiu: “Diante de todo o contexto, do descontrole e das repetidas ameaças de que ele mataria a esposa, a filha e os policiais, não há o que duvidar (de suas intenções)”.
Welber retornará ao Presídio Inspetor José Martinho Drumond, em Ribeirão das Neves (MG), onde está detido desde a época dos crimes.
PASSADO DE DESCONTROLE AO EXTREMO
Em 2021, na cidade de Ponte Nova, o autor ateou fogo na residência da mesma esposa na tentativa de queimá-la viva. Na ocasião, ele arremessou uma alavanca sobre a cama, antes de incendiar o local, acreditando que ela estaria dormindo.
Já em dezembro de 2024, o filho da vítima foi internado depois de tentar intervir em um dos vários momentos de agressão do marido contra ela. “O autor deu um golpe de foice na cabeça do filho dela, deixando-o em estado grave”, informaram os registros da PM com base nos relatos da companheira.

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