
N.M.P.P. (de 31 anos) foi absolvido, nesta terça (21/10), pelo Tribunal do Júri, em sessão presidida pela juíza Vânia da Conceição Pinto Borges no Fórum de Itabirito (MG).
Ele estava sendo acusado de ser o autor do duplo homicídio dos irmãos Juliano Jerônimo da Silva (conhecido como Sacota) e Cleivison Lino da Silva (o Sacotinha). Os dois foram assassinados no mesmo momento com vários tiros no bairro Agostinho Rodrigues.
O crime, que chocou Itabirito e teve grande repercussão, aconteceu em 2015 nas proximidades da BR-356.
A decisão já era esperada. Por falta de provas, o Ministério Público (MP) pediu aos jurados que o processo fosse encerrado. A defesa fez o mesmo pedido, baseada na “inocência do acusado”.
Todavia, o promotor Vinícius Alcântara Galvão se mostrou insatisfeito com a situação. “Não tem como pedir a condenação quando há dúvidas. Dizer que Promotoria é acusação não é adequado. Tem que ser feito aquilo que é certo. É uma frustração não ter provas robustas nesse caso”, disse.
Emocionada, uma familiar dos irmãos mortos conversou com o Radar Geral e expressou sua decepção com o veredito. Embora reconheça a falta de provas, essa parente estranhou o fato de não ter sido chamada para depor durante a sessão.
De acordo com ela, N. deu um tapa na cara de Sacota na frente da mãe (já falecida) das vítimas e chegou a ameaçar Sacotinha.
O promotor explicou que a dispensa se deu para não criar expectativa, haja vista que tal depoimento não alteraria a percepção atual do caso.
O CRIME
Sacota e Sacotinha eram dependentes de crack, mas segundo a família deles, não eram traficantes.
No dia do crime, os dois caíram numa emboscada. Alguém fez contato com os irmãos dizendo que eles receberiam certa quantidade de entorpecente. Foi quando, no local, Sacota (que tinha 39 anos) foi atingido por seis tiros – a maioria na cabeça. Já Sacotinha (37 anos) foi morto com três tiros no tórax.
O irmão mais novo chegou a correr após ser alvejado, mas caiu morto a metros do local em que foi atingido.
Na época, espalhou-se pela cidade a informação de que uma das vítimas foi jogada de cima de um paredão ao lado da BR-356, mas a família disse que esta informação não é verdadeira.
A pedido do MP, a juíza vai determinar à Delegacia de Itabirito que as investigações continuem. Entretanto, os familiares dos mortos disseram à reportagem que têm poucas esperanças. “Duas pessoas morreram e não há provas que levem aos culpados”, lamentou o promotor. “Justiça não significa condenação, e sim dar a cada um o que lhe é devido”, completou.
AS INVESTIGAÇÕES CHEGARAM ÀS SEGUINTES CONCLUSÕES:
1 – A arma apreendida pela polícia não foi a usada no crime.
2 – O exame residuográfico não constatou vestígio de pólvora nas mãos do suspeito.
3 – Houve informação de o acusado foi visto saindo do local do crime, logo após o fato. Contudo, tal situação não foi confirmada.
O ABSOLVIDO
O absolvido N.M.P.P. já foi condenado por tráfico de drogas (pena já cumprida). Ele é também investigado num caso em que é suspeito de tentativa de homicídio – crime que aconteceu também em 2015.
“Culpar inocentes não é solução dos nossos problemas. Quanto ao meu cliente, que ele repense que tudo que se faz na vida tem consequência”, disse o advogado de defesa.









