Negrão, Anézio, Tonho, Odely e Rafael Ribeiro. Esses foram os precursores da Bandalheira, uma adaptação do nome “banda alheira”. Isso porque, há décadas, com instrumentos cedidos por plantadores de alho de Amarantina, surgiu esse que é o bloco mais empolgante do Carnaval de Itabirito (MG).
Ruas cheias, centenas ou, quem sabe, milhares de foliões fantasiados. A Bandalheira é isso: vai quem quer, de graça e com qualquer fantasia. Neste domingo (15/2), não foi diferente. A Avenida Queiroz Júnior ficou tomada.
O Radar Geral conversou com alguns participantes, escolhidos aleatoriamente, sobre o que estão achando da festa em Itabirito.
ROBERTO PASSOS (56 ANOS)

Nascido em Itabirito, Roberto afirmou estar “gostando muito do Carnaval”.
“Hoje é o 1º dia que venho à rua. A festa atual é melhor que antigamente. Antes era bem mais cheio, mas ‘não agregava nada’. As pessoas vinham ‘só pra beber cachaça’. Hoje é mais família. Um ambiente muito mais familiar, onde se pode, por exemplo, conversar”.
ELSON CRUZ (81 ANOS)

Conhecido por sua atuação na política de Itabirito e como articulista do Jornal O Liberal (Coluna Notas da Pedra), Elson viu a Bandalheira tomar forma desde os primórdios do bloco.
Segundo ele, o “Carnaval está muito bom e bem organizado”. Elson enfatizou que as decisões sobre a festa foram tomadas a partir de escutas públicas em que as pessoas interessadas puderam opinar.
“Só senti falta do palco na Praça dos Correios, onde se apresentavam atrações do nível Cachaça com Arnica”, disse.
OPINIÕES DISCORDANTES
Todos que criticaram a festa em Itabirito não quiseram se identificar.
Pelo menos três entrevistados classificaram o Carnaval 2026 como “uma b.”, deixando claro o descontentamento. Um dos entrevistados disse que nas “escutas públicas” bandas e blocos, por exemplo, não tiveram suas reivindicações atendidas.
CARNAVAL HOJE – OPINIÃO DO RADAR
“Cada obra pertence ao seu tempo”, escreveu Machado de Assis referindo-se ao clássico Helena.
O raciocínio vale também para o Carnaval de Itabirito. Excesso de violência, tumultos e até mortes: as mudanças na folia itabiritense foram tentativas de deixar a festa mais segura.
As primeiras mudanças que diminuíram a força do Carnaval não são por iniciativa deste atual grupo (liderado por Elio e Orlando) que está na Prefeitura. A bem da verdade, o mesmo grupo (que tinha como lideranças Juninho e Alex) que fez explodir o Carnaval de rua, foi o que tentou, a princípio, “pacificá-lo” — chegando, inclusive, a levar a festa para a Área do Julifest (sem sucesso).
Não se trata de querer destruir o Carnaval. Prefeitos, mesmo não sendo “foliões de carteirinha”, sempre souberam que se trata de uma importante manifestação cultural. Juninho, Alex e Orlando, por exemplo, amam a festa. Quem os conhece, sabe disso.
Mas nada, absolutamente nada, teve força para impactar o Carnaval de Itabirito como “a concorrência”: a festa em BH, que ficou morta há anos, mas acabou se transformando em uma das maiores do país; e o Carnaval de Ouro Preto, que continua sendo referência em Minas.
Talvez o Carnaval de Itabirito hoje seja o melhor possível (tendo em vista o momento de contenção de despesa da Prefeitura).
Aquela folia de outrora pertence ao seu tempo. É possível melhorá-la? Sim. É viável trazer de volta o Carnaval dos áureos tempos do Bloco Os Pembas, por exemplo? Pouquíssimo provável.
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