Itabirito (MG) e seus ilustres personagens. O Radar Geral conheceu dois irmãos gêmeos (bivitelinos), de 17 anos, apaixonados por música e membros da Corporação Musical União Itabiritense.
Trata-se de Matheus e Victor Silva. Chama atenção o quanto esses garotos levam a sério os propósitos comuns: fazer faculdade de música fora do Brasil e serem membros de uma orquestra.
Na Banda Nova (como a corporação é conhecida), eles não são apenas curiosos em busca de atividade. O caminho que eles escolheram tem a ver com legado de família. “É uma herança que tem origem em meu avô, que foi membro da Sociedade Musical Santa Cecília, de Passagem (de Mariana)”, disse Matheus.
Inclusive foi na histórica Mariana onde os irmãos nasceram.
Conservadores, eles tecem críticas aos modismos musicais de forma veemente. “Músicas que exaltam as drogas, o sexo ou que tratam a mulher como objeto têm a ver com a falta de cultura e informação”, acredita Matheus, mais eloquente dos dois.
Clarinetista (Matheus) e tubista (Victor), fãs de música clássica e seguidores do talentoso e polêmico Lord Vinheteiro, os irmãos sabem que uma opinião forte e com embasamento, algumas vezes, afasta possíveis aliados na capacidade de gostar e entender estilos musicais apurados. “Procuro evitar esse tipo de conversa com meus amigos”, contou Matheus, que admitiu que no caso de sua namorada, conseguiu aproximá-la do universo erudito.
A dedicação e o gosto musical dos dois permeiam outros aspectos da vida deles. “Se você tem cinco amigos engenheiros, você é incentivado a ser o sexto. Se tem cinco advogados como amigos, você pode ser o próximo. Mas o mesmo vale se você tiver cinco amigos drogados, infelizes e burros”, disse o clarinetista.
PLATÃO
Citando “A República”, do filósofo grego Platão (um dos fundadores da filosofia ocidental), Victor disse: “Nós somos o que escutamos (…). De acordo com a vibração da música, a pessoa vai agir”.
A visão crítica e firme a respeito do mundo, não os impede de serem gratos. Seus pais Renata e Regisvander (contra mestre e saxofonista da Banda Nova) são testemunha disso.
Matheus, inclusive, é aluno do professor Jefferson Assis (da Orquestra Sinfônica de Minas Gerais), com quem faz aulas (oferecidas pela Prefeitura de Itabirito). Para ele, além de mestre, seu professor é uma referência. “O nível dos profissionais que dão aula de música, de graça, na Casa de Cultura é impressionante”, opinou.
Entretanto, nem só de música se faz um adulto de fato. “Estudamos metalurgia na melhor escola da região: o IFMG, de Ouro Preto. Local onde formam seres humanos, e não somente técnicos”, finalizou Victor.
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