
Madrugada de terça (20/10) para quarta (21/10), bairro São José, Itabirito (MG). Armado com uma faca, um casal tenta roubar a moto de Welbert Coelho Sena (de 31 anos). O veículo não foi levado, mas, agredido pelos criminosos, Welbert morreu oito dias depois.
Durante a ação dos bandidos, o desespero de Welbert na tentativa de impedir que a moto fosse roubada foi registrado em vídeo pelo celular de um internauta. “O que o matou foi uma perfuração no intestino”, disse ao Radar Geral um familiar da vítima.
Os suspeitos continuam soltos. Embora sejam de São Paulo, moram em Itabirito há algum tempo. Segundo informações, a dupla costuma ser vista no local onde o crime aconteceu, nas proximidades do Supermercado Opção, onde haveria uma biqueira (ponto de venda de drogas). Esse seria o motivo de o casal frequentar o ponto com regularidade.
E mais: não seria a 1ª vez que essa dupla teria cometido crimes na ânsia de conseguir recursos para a compra de entorpecentes.
A VÍTIMA
Pelos vídeos que se espalharam por grupos de WhatsApp, é possível perceber que Russo, como Welbert era conhecido, reagia de maneira aparentemente desorientada na tentativa de impedir que a moto fosse roubada: gritava, socava e chutava portões e fazia de tudo pra chamar atenção.
“Ele tinha problemas ‘psicológicos’, depressão, fazia uso de medicamentos tarja preta. Apesar de ter voltado recentemente para o muay thai, em hipótese alguma ele tinha intenção de brigar e sempre pedia desculpas. Na hora da confusão, ele derrubava a moto na ânsia de impedir a ação dos bandidos e pedia socorro. Parece a reação de uma criança que não sabia o que fazer. Deveria ter ido embora e ter buscado ajuda, mas não foi”, disse outro familiar. Esse parente ainda afirma que a faca atingiu a perna de Welbert.
Familiares relataram ao Radar Geral que Betinho, como era chamado pela família, era uma pessoa do bem, pai de duas crianças. Naquela madrugada, ele estava no local para dar um recado a um parente, convidando-o a prestigiá-lo em um evento de luta.

CONFUSÃO/RECLAMAÇÃO
A gritaria durante a confusão teria provocado reclamações de vizinhos. “Tem um cara aqui fazendo arruaça”, teria dito uma pessoa ao acionar a Polícia Militar (PM).
Familiares ainda informaram à reportagem que, com base em relato da própria vítima ferida, Betinho levou duas “cacetadas de um policial”. “Foi tratado como se fosse o marginal da história”, salientou o familiar.
ATENDIMENTO NA UPA
Levado para a Unidade de Pronto Atendimento (UPA), Welbert com a roupa ensanguentada foi visto por uma parente tomando água no corredor da unidade de saúde. “Trataram ele como se fosse um porco. Não descarto a hipótese de Betinho ter bebido álcool antes da confusão. Me disseram que chegou alterado (…), mas nada justificava tudo o que ele passou”, disse a familiar.
Apesar das críticas ao atendimento, essa mesma parente guarda boa lembrança de um integrante da equipe de enfermagem da UPA. De acordo com ela, o profissional foi essencial para que Welbert conseguisse ser transferido para o Hospital São Camilo, em Itabirito, onde, ainda segundo o relato da familiar, foi tratado, desta vez, com dignidade.
Entretanto, após cerca de oito dias internado, Betinho morreu.
No atestado de óbito, constam as seguintes causas: “politraumatismo, choque distributivo (falência da circulação sanguínea) e parada cardiorrespiratória”.
O sentimento que permanece entre os familiares é de injustiça. “Betinho agora tá debaixo da terra e os ladrões assassinos estão soltos. O que queremos é Justiça!”, relatou a parente.
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