Nesta quinta (24/9), representantes da sociedade de Itabirito (MG) julgaram, no Tribunal do Júri, um caso em que o réu estava preso preventivamente desde 17 de novembro do ano passado.
O CASO
Um dia antes, ele (então com 47 anos) encontrou a ex-companheira (de 31) em um bar no bairro São José. O relacionamento, que já havia terminado, era extraconjugal.
Segundo o relato da vítima, seu ex estava transtornado, chegou a quebrar mesas com socos e deu um tapa no rosto dela. Em seguida, pegou um facão e partiu para cima da moça, que conseguiu fugir pulando um muro e se escondendo num matagal.
Na época com 22 anos, o atual namorado da vítima também foi agredido pelo réu com socos após entrar no bar “para comprar cigarros”. O jovem fugiu para casa, mas o agressor o perseguiu armado com o facão. A mãe do rapaz tentou intervir e, segundo a denúncia, também teria sido agredida.
De acordo com a mãe do jovem, o filho dela e a moça em questão continuam se relacionando. O rapaz depôs usando tornozeleira eletrônica por crime relacionado ao tráfico de drogas.
Apesar de serem parte interessada no processo, o casal não queria depor, e a ida ao Fórum se deu de maneira coercitiva.

Todavia, o que de fato jogou um “balde de água fria” na acusação foi o depoimento da mãe do jovem. Ela disse que não foi agredida, que o filho correu para dentro de casa e que não houve tentativa de homicídio — crime que constava na acusação.
O resultado: o réu foi condenado a três meses de prisão pelas agressões, mas foi absolvido das demais acusações. A leitura da sentença foi feita pela juíza Nathália Moura Mendes Rocha, que está provisoriamente auxiliando a juíza titular Vânia da Conceição Pinto Borges.
Como já cumpriu quase um ano de prisão, a previsão é de que o alvará de soltura seja recebido na sexta (25/9) pelo Presídio de Ouro Preto (onde ele está).
O Ministério Público, representado pelo promotor Vinícius Alcântara Galvão, não vai recorrer da sentença.
EMOÇÃO
Ao final, uma situação roubou a cena. “Vou deixar você dar um abraço em sua família”, disse um policial penal ao réu — já na condição de absolvido da maioria das acusações.
Esposa, filhas e mãe idosa choraram e o abraçaram. Uma das filhas chegou a desmaiar. O momento fez com que alguns dos presentes, que estavam no local apenas como espectadores, ficassem com os olhos marejados.
“Eu jamais estaria aqui se ele não fosse uma pessoa boa, trabalhador, amado pela família. Ele errou, mas já pagou pelo erro. Se Deus quiser, vai sair da prisão”, disse ao Radar Geral uma vizinha da família do réu, minutos antes da sentença.
“A turma do Júri agiu de acordo com a verdade dos fatos”, acredita o advogado de defesa Juliano dos Santos Pereira.









