Cruzeiro se perdeu nas próprias escolhas, e o Atlético aproveitou para fazer história
Fred, jogador do Galo, foi o destaque da noite - Foto: Ramon Lisboa
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Hoje tenho a alegria e a honra de estrear a minha coluna aqui no portal. Como jornalista e apaixonada por futebol, ocupar esse espaço tem um significado muito especial para mim. É mais uma oportunidade de compartilhar as minhas opiniões, conhecer diferentes pontos de vista, dividir emoções e vivenciar tudo aquilo que torna esse esporte tão fascinante para quem sente cada jogo de forma intensa como eu. E o destino quis que essa estreia acontecesse logo após um clássico entre Cruzeiro e Atlético, válido pelas quartas de final da Copa do Brasil de 2026. Daqueles confrontos de mata-mata que mobilizam torcidas, movimentam cidades e se transformam no principal assunto da semana, seja no trabalho, no bar ou mesmo no grupo da família. Um jogo que vai além das quatro linhas e reafirma a paixão que o futebol desperta em milhões de pessoas.

E, falando sobre ontem, é impossível não começar enaltecendo a festa e a atmosfera criadas na Arena MRV. A torcida do Atlético deu um verdadeiro espetáculo, assim como a torcida do Cruzeiro já havia dado uma semana antes. Cruzeiro e Atlético fizeram duas partidas carregadas de tensão, expectativa e de todos os ingredientes que consolidam esse duelo como um dos maiores do futebol brasileiro. Foram 180 minutos de equilíbrio, estratégia e intensidade, em que cada detalhe teve peso decisivo. E, no balanço geral dessas quartas de final, prevaleceu quem teve mais coragem para assumir riscos em momentos decisivos. Passou quem soube construir a sua estratégia com mais inteligência. Avançou quem cometeu menos erros. Porque, em confrontos desse tamanho, a diferença entre a classificação e a eliminação costuma estar nos detalhes.

E é justamente aí que quero chegar: o peso das decisões, das escolhas. Por isso, quero começar falando do Cruzeiro. Foi difícil entender a estratégia adotada por Artur Jorge no jogo de ontem. A Raposa não fazia uma grande atuação, é verdade, mas também estava longe de ser dominada pelo Atlético. O confronto seguia equilibrado, aberto e plenamente disputável até o fim do primeiro tempo. Não era um jogo controlado pelo Cruzeiro, mas era, acima de tudo, um jogo vivo. E foi justamente nesse contexto que algumas decisões do treinador acabaram influenciando diretamente o rumo da partida. A saída de Gerson foi compreensível. Se o jogador sentiu dores, a substituição era inevitável. Até aí, nenhuma contestação. O que me chamaram a atenção foram as outras alterações, especialmente as saídas de Kaio Jorge e Matheus Pereira.

Estamos falando de duas das principais referências técnicas da equipe, jogadores capazes de decidir uma partida mesmo em uma noite pouco inspirada. Na minha avaliação, aquelas mudanças enfraqueceram consideravelmente o Cruzeiro. O efeito foi quase imediato: o time perdeu presença ofensiva, diminuiu a sua capacidade de criação e permitiu que o Atlético se sentisse cada vez mais confortável dentro de campo. Após a partida, Artur Jorge tentou justificar as suas escolhas na entrevista coletiva. É natural que um treinador explique as suas decisões, mas, sinceramente, os argumentos apresentados não convenceram. A impressão que ficou foi a de que a leitura da comissão técnica não refletia aquilo que o jogo mostrava. E esse não é um questionamento isolado. Algumas insistências em determinados jogadores já vêm acontecendo há algum tempo.

Mas, também, a responsabilidade não pode recair apenas sobre o treinador. O Cruzeiro também precisa ser cobrado pela postura apresentada nas últimas partidas. Estamos falando de um dos elencos mais caros do futebol brasileiro, montado após um investimento expressivo da diretoria. Ainda assim, o rendimento em campo está longe de corresponder à expectativa criada. Falta intensidade, falta imposição e, principalmente, falta transformar o potencial do grupo em desempenho mais consistente. Com a eliminação na Copa do Brasil, a pressão tende a aumentar ainda mais. Agora, resta ao Cruzeiro concentrar todas as suas atenções no Campeonato Brasileiro e apresentar muito mais do que mostrou até aqui.

Do outro lado, o Atlético deu uma demonstração de maturidade competitiva. O Galo encontrou dificuldades ao longo dos 180 minutos do confronto das quartas de final, mas em nenhum momento abriu mão de buscar o resultado. Manteve a sua proposta, seguiu pressionando e acreditou até o fim que a oportunidade apareceria. E ela apareceu. O Atlético mostrou algo que fez a diferença nos dois jogos: vontade. A equipe atuou com fome de classificação e demonstrou intensidade nos momentos decisivos. Em confrontos equilibrados, muitas vezes é justamente esse detalhe que separa quem avança de quem fica pelo caminho. Também merece destaque o trabalho de Eduardo Domínguez. Mesmo com limitações em alguns setores do elenco, o treinador tem conseguido manter a equipe organizada, competitiva e fiel à sua ideia de jogo. É um trabalho que, acima de tudo, vem entregando resultados. E, no futebol, a gente sabe que é isso que importa.

No fim das contas, o Cruzeiro pagou caro pelas escolhas difíceis de explicar e por uma atuação abaixo da expectativa gerada pelo investimento feito em seu elenco. Depois das eliminações na Libertadores e na Copa do Brasil, resta ao clube buscar uma recuperação no Campeonato Brasileiro e, no mínimo, garantir uma vaga na Libertadores de 2027.

Já o Atlético, premiado pela organização e inteligência demonstradas principalmente nesses dois jogos, segue mais vivo do que nunca nas competições de mata-mata. Continua firme na Copa Sul-Americana e agora também está entre os quatro melhores da Copa do Brasil. O resultado é simples: em um duelo decidido nos detalhes, o Galo foi mais eficiente quando mais precisou e, por mérito, foi o primeiro semifinalista da Copa do Brasil.

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