Ouro Preto/Itabirito: 'Rio Negro não respeita descanso de motoristas que transportam trabalhadores da Vale'
Ônibus da Rio Negro e Mina do Pico, no Complexo Vargem Grande, em Itabirito — Fotos: Rio Negro e Vale
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Motoristas da Rio Negro Transportes e Turismo, empresa que atua no deslocamento de trabalhadores da Vale e de empresas terceirizadas, denunciam que a companhia de ônibus não está respeitando o período mínimo de 11 horas de descanso entre uma jornada e outra, previsto no artigo 66 da CLT (lei trabalhista).

O Radar Geral recebeu relatos sobre as condições enfrentadas pelos condutores que atuam em linhas com origem na Cooperouro (Ouro Preto) e destino às minas do Complexo Vargem Grande em Nova Lima e Itabirito. Sendo a Mina do Pico um desses empreendimentos.

Apesar de a escala ser 3×3, três dias de trabalho seguidos por três de descanso, “na 1ª e 2ª noite, a gente até consegue suportar, mas chega na 3ª noite fica inviável”, denunciou um dos motoristas.

300 KM POR DIA

Os condutores percorrem, ao todo, cerca de 300 quilômetros por dia no transporte de empregados que atuam na mineradora.

A rotina começa de madrugada. “A gente sai às 3h50, chega às 5h20, faz o baldeio e retornamos às 6h30. À tarde, a gente volta e finaliza às 20h20, isso se o trânsito estiver bom”, relatou.

Após o encerramento das atividades, os motoristas que utilizam a lotação para retornar para casa chegam aos seus lares por volta das 21h30. “Ninguém dorme imediatamente. Eu, por exemplo, vou pra cama às 23h30 e preciso acordar às 2h30 para conduzir o ônibus, novamente, às 3h50”, contou.

FALTA DE DIÁLOGO

Os trabalhadores também afirmam que não há abertura, por parte da Rio Negro, para discutir as condições de trabalho.

“Nos sentimos jogados pelos cantos. Os supervisores não nos respondem. Não somos ouvidos”, desabafou.

Relatos ainda dão conta de que promessas de mudança nos horários chegaram a ser feitas, mas não foram efetivadas. “A gente questiona, mas não há resposta de fato. Eles (os supervisores) sempre empurram o problema com a barriga”, afirmou.

Um outro funcionário chamou atenção para os perigos que, segundo ele, a rotina representa: “Olha o risco que nós condutores, os trabalhadores, outros motoristas corremos diante de uma situação dessa”.

TRABALHADORES DENUNCIAM IRREGULARIDADES NA FOLHA DE PONTO

Além da denúncia relacionada ao período de descanso, trabalhadores afirmam que a empresa chegou a orientar que o preenchimento da folha de ponto fosse feito de maneira diferente da jornada efetivamente cumprida.

“Eles mandavam a gente abrir às 3h45, fechar às 11h, abrir novamente às 14h e fechar às 16h20. Quando correto seria abrir às 3h45, fechar às 8h20, retornar às 15h45 até as 20h30, que é a hora que a gente de fato para”, denunciou uma das fontes ouvidas pelo Radar.

Contudo, segundo os trabalhadores, tal orientação foi modificada há pouco tempo, e os funcionários passaram a preencher a folha de ponto de acordo com os horários efetivamente cumpridos.

MONITORAMENTO DE FADIGA

Outra situação relatada pelos condutores é o sistema de monitoramento instalado nos veículos, conhecido como DMS (Driver Monitoring System), utilizado para identificar sinais de fadiga ou falta de atenção do motorista.

“Se a gente for pego na fadiga, o vídeo acaba nas mãos do supervisor”, afirmou um dos denunciantes.

O desabafo não para por aí: “Depois acontece um acidente, vão querer abrir investigação, com uma série de perguntas tendenciosas para jogar a culpa no motorista. O slogan da Vale é lindo, ‘A vida em 1º lugar’, mas ‘onde’ está o respeito pela vida se o condutor não tem um descanso adequado entre uma jornada e outra?”, questionou.

VALE E RIO NEGRO FORAM PROCURADAS

O Radar Geral procurou a Vale e a Rio Negro para que se manifestem sobre as denúncias. No entanto, nenhuma resposta chegou ao site.

As portas estão abertas para manifestação dessas duas empresas ou até de outros funcionários.

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