Sidimar de Jesus Ferreira (de 30 anos) não furtou a motocicleta que se envolveu no acidente do último domingo (26/7), no bairro São José, em Itabirito (MG).
De fato, inicialmente, houve o registro de uma ocorrência de furto. No entanto, mais tarde, o homem (de 36 anos) que havia comunicado o suposto crime mudou sua versão. Diante disso, ele poderá responder por falsa comunicação de crime.
O denunciante é funcionário de uma prestadora de serviços da Cemig. A motocicleta pertence à empresa e estava sob sua responsabilidade.
NO BAR
Na madrugada de domingo (26/7), por volta das 2h, durante um momento de confraternização no Espetinho Savassi, com várias pessoas presentes, esse homem emprestou a motocicleta a Sidimar, de quem seria amigo.
Sidi (como é conhecido) saiu para “dar um rolé” e chegou a retornar ao bar para que o amigo desligasse o alarme do veículo, que havia disparado.
Horas depois, por volta das 13h do mesmo dia, ocorreu o acidente. Sidi bateu violentamente contra um poste na Rua Doutor Francisco José de Carvalho.
Mais tarde, durante o desenrolar da ocorrência, o amigo compareceu à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) e, em vez de relatar o que realmente havia acontecido, afirmou, mais de 12 horas após o veículo ter sido levado, que a motocicleta havia sido furtada.
A partir desse momento, Sidi passou a ser tratado como suspeito de furto. Por esse motivo, a Unidade de Suporte Avançado (USA) do Samu realizou a transferência de Sidi para o Hospital João XXIII, em Belo Horizonte, sob escolta da Guarda Civil Municipal (GCM) de Itabirito.
Na capital, com graves ferimentos no rosto, traumatismo cranioencefálico e lesões nas vértebras, ele permaneceu inconsciente, intubado e sob custódia da GCM.
Para a família, a angústia de ver um ente querido lutando pela vida somou-se ao desconforto de presenciar a vigilância da Guarda baseada em um crime que, na prática, existia apenas no registro da denúncia.
Em meio a essa situação, o denunciante, acompanhado de dois representantes da empresa proprietária da motocicleta, compareceu à Delegacia de Polícia Civil de Itabirito e contou a verdade.
Horas depois, a juíza Ana Carolina Ferreira Marques dos Prazeres expediu o alvará de soltura.

“Naquele momento, estávamos preocupados com a saúde do meu filho. A questão da moto, da denúncia falsa e da escolta da Guarda nós resolveríamos depois. Foi uma grata surpresa. Apesar de estarmos sofrendo muito com a situação de Sidi, ficamos felizes com a decisão da Justiça”, disse ao Radar Geral a mãe de Sidi, que enfatizou que a família está esperançosa na recuperação dele, com base nas informações repassadas pelos próprios médicos do Hospital João XXIII.
OUTRO LADO
O Radar Geral tentou contato com o homem que registrou a denúncia e, posteriormente, mudou seu depoimento, mas as ligações não foram completadas.
O espaço permanece aberto para que ele apresente sua versão.
No entanto, esta reportagem traz, nesta mesma página, mensagens enviadas por ele a uma familiar de Sidi, nas quais comenta o caso.










