Em meio à crise, Prefeitura de Ouro Preto nomeia novo comandante da GCM
GCM de Ouro Preto tem novo comandante — Foto divulgada pelo Jornal Geraes
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Em meio à crise entre a Prefeitura de Ouro Preto e a Guarda Civil Municipal (GCM), a administração anunciou a nomeação de Adriano Carlos Sales para o comando da corporação. Os guardas contestam mudanças na escala de trabalho, o corte do vale-refeição e a falta de diálogo com o governo do município.

O anúncio foi feito pelo prefeito Angelo Oswaldo e divulgado nos canais oficiais da administração municipal. Segundo a Prefeitura, Sales possui ampla experiência na área e terá a missão de contribuir para a integração, a disciplina e o aprimoramento das atividades da Guarda.

Em nota divulgada em redes socais, a Prefeitura afirmou que a substituição faz parte de um processo de fortalecimento da corporação e valorização das ações de segurança pública desenvolvidas.

Ao comentar a mudança, Angelo declarou: “A administração seguirá pautada pelo diálogo, pela legalidade e pelo respeito à instituição, reafirmando o compromisso da Prefeitura com uma Guarda Municipal cada vez mais preparada para cumprir suas funções e atender à população”.

No entanto, a novidade acontece em um contexto de forte desgaste que a Prefeitura tenta minimizar.

REIVINDICAÇÕES

Entre os principais motivos da insatisfação dos guardas está a alteração da escala de trabalho. A Prefeitura substituiu o tradicional regime de plantão de 12 horas de trabalho por 36 horas de descanso (12×36) por jornadas diárias de até 8 horas.

Segundo os servidores, a mudança prejudica especialmente agentes que residem em outras cidades e dependiam do modelo anterior para viabilizar o deslocamento até Ouro Preto.

Outro ponto de tensão envolve o vale-refeição. Como o benefício era concedido aos servidores que atuavam em regime de plantão, a alteração da escala resultou no corte imediato do auxílio para parte dos agentes, gerando impacto financeiro na categoria.

Os guardas também denunciam a falta de diálogo com a Secretaria Municipal de Segurança Pública. De acordo com os servidores, propostas alternativas foram apresentadas à pasta, mas não houve avanço nas negociações.

Além disso, agentes relatam dificuldades relacionadas às condições de trabalho, incluindo a redução do fornecimento de combustível para as viaturas. Segundo a categoria, a medida tem limitado a capacidade operacional da Guarda em diferentes regiões da cidade.

Como parte da crise, as funções de confiança do comando da corporação foram entregues entre fim de maio de início de junho. Loredo, o ex-comandante, ficou somente 10 meses no cargo.

Durante a maior parte desse tempo, ele comandou praticamente sozinho, uma vez que os cargos de subcomandante e coordenador de área só foram preenchidos recentemente.

Outro detalhe: a instituição permanece todo esse período sem a Ouvidoria própria. “O que certamente contribui para todo esse desgaste”, informou um dos agentes.

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