A partir de meados deste mês, Antônio Francisco Gonçalves (conhecido como Doutor Antônio) deixará a Comarca de Itabirito (MG). O juiz será promovido para a entrância especial e assumirá o cargo em uma cidade com mais de 150 mil habitantes — no caso, Belo Horizonte.
Dr. Antônio chegou a Itabirito em 2006. Na época, o Fórum contava com somente um juiz, ou seja, estava na 1ª entrância. Em 2013, ao ser elevado à 2ª entrância, o Fórum passou a contar também com a Doutora Vânia da Conceição Pinto Borges.
Em entrevista de mais de uma hora ao Radar Geral, Dr. Antônio (sempre receptivo com a imprensa) contou a boa-nova e falou de assuntos que lhe são caros, como a falência da Usina Queiroz Junior e a dívida bilionária contraída pelos donos — caso que será tratado com detalhes por este site o mais breve possível.
LUTA PARA VENCER
A trajetória do juiz Antônio é marcada por superações pessoais e profissionais.
De origem humilde, nascido no Vale do Vale do Jequitinhonha, foi o 2º de 10 filhos. Durante a infância e juventude, trabalhou como ajudante de pedreiro com seu pai (um homem de personalidade rígida) para auxiliar no sustento da família.

No ano 2000, época em que prestava concurso para a magistratura, foi diagnosticado com câncer no estômago. Após a cirurgia, contraiu uma infecção hospitalar severa que o obrigou a realizar as provas do concurso em isolamento absoluto dentro do hospital, sob fiscalização rigorosa. Apenas dois meses após tomar posse como juiz, ele perdeu o pai para a mesma doença que havia enfrentado.
ITABIRITO E APAC
Um dos grandes entusiastas da Apac de Itabirito (modelo humanizado, mas rigoroso, de cumprimento de pena), Dr. Antônio acredita que um condenado possa, de fato, ser reintegrado à sociedade — desde que o Estado dê condições para isso e que haja interesse real do preso.
Quando chegou a Itabirito, sua prioridade foi desafogar os trabalhos da Comarca: em apenas um mês, foram 2.500 decisões. Em 2013, os 11 mil processos da época puderam ser divididos com a juíza recém-chegada.

“A sensação ao deixar Itabirito é de dever cumprido. A Corregedoria orienta que processos não fiquem parados por mais de 100 dias; na minha secretaria, estabeleci o prazo máximo de 40 dias. Todos os processos sob minha responsabilidade serão sentenciados até o dia 15”, disse o juiz, reforçando seu propósito de “zerar as sentenças”.

Nos últimos seis meses, foram cerca de 100 sentenças por mês. Perguntado se isso seria um “prenúncio” de sua saída, ele respondeu que não, dando a entender que seu ritmo de trabalho visa tentar resgatar a imagem do Judiciário perante os desgastes atuais — desgastes estes que não ocorrem exatamente nos tribunais de 1ª instância.













