O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) apura denúncia contra o desembargador Magid Nauef Láuar de tentativa de abuso sexual.
Trata-se de um magistrado do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJMG), com atuação como juiz em Ouro Preto e passagens pela Comarca de Itabirito.
“Ele tentou abusar sexualmente de mim quando eu tinha 14 anos de idade. Quando eu trabalhava para ele. O ato só não se consumou porque eu fugi”, escreveu Saulo Láuar, primo de Magid, em seu Instagram.
A denúncia surgiu após o magistrado votar pela absolvição de um homem acusado de estuprar uma menina de 12 anos. Contudo, o desembargador reformou a própria decisão, e hoje (25/2) restabeleceu a condenação.
De forma monocrática, ele acolheu recurso do Ministério Público e determinou a expedição imediata de mandado de prisão, além de manter a responsabilização da mãe da vítima (que consentia tal relacionamento).
Há poucos dias, quando houve a absolvição, Magid foi o relator do caso. O desembargador Walner Barbosa Milward de Azevedo o acompanhou, e os dois formaram maioria na 9ª Câmara Criminal do TJMG pela absolvição. A desembargadora Kárin Emmerich votou de forma divergente.
“Todo o relacionamento mantido entre o acusado e a menor não decorreu de ato de violência, coação, fraude ou constrangimento, mas sim de um vínculo afetivo consensual, com prévia aquiescência dos genitores da vítima e vivenciado aos olhos de todos”, ponderou Magid antes de mudar de ideia.
REVELAÇÕES E TRAUMA
Ao tomar ciência da absolvição, Saulo (hoje com 42 anos) resolveu denunciar o primo, prestando depoimento ao CNJ nesta terça (24/2).
Na época, “ele (Magid) me ligou imediatamente após o fato e pediu para não falar com ninguém porque foi uma brincadeira. Um momento de estresse dele”, disse Saulo ao G1.
USO DE IA E ATUAÇÃO REGIONAL
Segundo o Jornal Correio Braziliense, na 1ª sentença (de absolvição), além do mérito polêmico, foi esquecido um comando (prompt) de inteligência artificial: “Agora, melhore a exposição e fundamentação deste parágrafo”.
Em suas passagens como juiz em Itabirito, Magid cobriu férias e foi plantonista.
VÍNCULO COM A UFOP
Além da carreira na magistratura, Magid recebe, desde 2013, uma aposentadoria por invalidez permanente da Universidade Federal de Ouro Preto (Ufop). Esta informação é da Rádio Itatiaia.
Conforme informado pela emissora, o magistrado lecionou na instituição por 15 anos e recebe cerca de R$ 4,6 mil mensais, mais benefícios, enquanto continua exercendo suas funções no TJMG.
Veículos da grande imprensa alegaram que Magid ainda não se pronunciou.















