ITABIRITO (MG) – “Não! Nunca pensei nisso!”, disse Maria de Sousa Ferreira, conhecida como Dona Nega, ao responder à pergunta: “A senhora, quando mais jovem, chegou a pensar na possibilidade de viver até os 102 anos de idade?”.
Andando (apesar da dificuldade), com aparência de anos a menos e, de fato, lúcida, Dona Nega é uma das pessoas “mais idosas” de Itabirito (MG), onde vive desde seus 6 anos de idade. “Graças a Deus, a minha cabecinha é bem boa ainda”, disse ela.
Nascida em São Julião (antigo nome de Miguel Burnier), em Ouro Preto (MG), Nega estudou na Escola Estadual Dr. Raul Soares e tem boas lembranças de muitos na instituição de ensino, mas principalmente de sua 1ª professora: “Olga Gramine”.
Mulher de fé, desde maio deste ano (de 2025), por causa de agravamentos de problemas de saúde, parou de frequentar a Igreja de Santa Efigênia.
A expressão “Graças a Deus”, no entanto, faz parte do dia a dia dessa referência que vive (tendo um de seus filhos como companhia) numa simpática casa na Vila Gonçalo.

Mas, afinal, qual o segredo para se viver tanto? Ela respondeu: “Não sei explicar. Adoro a minha vida. Gosto de ‘ser obrigada’ a conviver, graças a Deus!”.
Ainda forte, matriarca de uma família que sabe respeitá-la e amá-la, Nega não dispensa uma verdura, uma “carninha” e não pode faltar, toda noite, uma deliciosa sopinha de macarrão.
Teve sete filhos (sendo quatro vivos), fã de novela, de futebol, da TV Aparecida, Dona Nega acompanha o “Roda a Roda”, aos domingos no SBT. Oportunidade em que ela, mesmo com problemas de visão, consegue fazer associações (com base nas informações dadas pela apresentadora Rebeca Abravanel) e, muitas vezes, descobre qual é a palavra do jogo.
Perguntada o que ela mais sente falta diante de tantas conquistas e perdas no decorrer de dois anos a mais que um século de existência (completados em 17/9), Nega não titubeou: “Não sinto falta de nada!”.
É claro que durante a conversa, ela se recordou, com carinho, por exemplo, dos bailes do passado e de seu saudoso marido. “Ele era Itabirense, eu era União. Ele era Cruzeiro. Já eu, durante toda minha vida, ‘fui’ atleticana”, disse em meio a um sorriso encantador.
Costureira, Nega contou que trabalhou no Salão Bolívia, que era “em frente ao Banco de Brasil”. Foi presidente do “Apostolado de Oração Sagrado Coração de Jesus” da Matriz de Nossa Senhora da Boa Viagem; e segundo um acupunturista que a atendia, o segredo da longa vida dessa mulher (respondendo à pergunta anterior) é o seu “eterno bom humor”.
Ao que tudo indica, ele tem razão.
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