O Radar Geral esteve no Marzagão, em Itabirito (MG), nesta sexta (27/6), e conversou com 3 mulheres das 7 famílias que estão vivendo no local, de maneira improvisada, há 10 dias.
VEJA ENTREVISTA:
Diante da situação, na sociedade itabiritense há diferentes sentimentos: 1- compaixão, 2 – indiferença e 3 – aversão. Muitas vezes, a aversão vem acompanhada de discurso com intuito de criar justificativas para, simplesmente, expulsar essas pessoas do local.
A bem da verdade, os órgãos competentes têm obrigação de fazer valer a lei. Se a ocupação é irregular, cabe à Prefeitura tomar as providências. Contudo, o que dói, de fato, nessas pessoas são as campanhas orquestradas de seres que nada ganham ao tentar piorar a condição de quem já vive em meio a várias dificuldades.
Jucileide (43 anos), Joemile (22) e Pamela (25) falaram com o Radar Geral na noite de sexta (27/6). Todos no local possuem algum grau de parentesco entre si e nenhum pertence a grupo organizado de invasores.
A reportagem chegou por volta das 16h30, mas as entrevistadas só apareceram ao cair da noite gelada. Isso porque elas estiveram reunidas com a Prefeitura (depois de buscar as crianças na escola).
Com suas melhores roupas, essas mulheres receberam do Município a informação que terão aluguel social por 6 meses. Já na quinta (26/6), souberam (com a presença da Polícia Militar e da Guarda) que terão de deixar o local em 15 dias.
Essas famílias têm recibo de compra e venda da área e ainda estão pagando parcelas da “aquisição”. Contudo, a legalidade dessa transação em específico é questionada pela municipalidade.
Sendo assim, o vendedor devolveu (tendo o Radar como testemunha informal) o valor já pago. Que fique claro: a maioria dos imóveis do Marzagão foi adquirida da mesma forma (somente com recibo).
Há 10 crianças entre essas famílias, há também um autista nível 2. Alguns estão em Itabirito há cerca de 4 anos. Outros chegaram há menos tempo. O local em que estão foi “comprado” há 2 meses, e eles estão vivendo (em barracas de lona e madeirite) há 10 dias.
A principal fonte de renda deles é o Bolsa Família. As entrevistadas disseram que deixaram a cidade de São Francisco do Conde (na Bahia) para tentar uma vida menos miserável em Minas Gerais.
Essas mulheres não se sentem na condição de invasoras (crime passível de indignação do verdadeiro proprietário do local ou de vizinhos próximos legalmente estabelecidos). Entretanto, o que elas não entendem é por que há pessoas que tentam prejudicá-las sem ao menos tomar ciência da real situação. “Se todo mundo tem por que a gente não pode comprar com nosso suor?”, questionou Pamela, referindo-se ao direito à moradia.










